Portugal reitera “grande apoio” a Kiev na Conferência sobre Recuperação
Ucrânia
10 de jul. de 2025, 17:00
— Lusa/AO Online
“A
mensagem que Portugal traz é muito simples – é uma mensagem de grande
apoio. De apoio às pretensões da Ucrânia de aderir à União Europeia
[UE], de apoio à paz, de apoio à reconstrução. E Portugal fará tudo o
que está ao seu alcance para ajudar a atingir estes objetivos”, declarou
à Lusa, em Roma, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Inês
Domingos, que representa Portugal na conferência.Começando
por “destacar a importância desta conferência, porque é um sinal forte
do empenho de vários países” no apoio à Ucrânia, Inês Domingos sublinhou
que não está em causa apenas a futura reconstrução do país, devastado
por uma agressão russa que decorre há já quase três anos e meio, mas
também os esforços com vista à “paz e a prosperidade na Ucrânia”
enquanto “um elemento de segurança para toda a região”, bem como o
processo de adesão à UE.Relativamente a
Portugal, a governante afirmou que o país tem “dado um contributo
relevante”, lembrando o acordo de cooperação firmado entre o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o Presidente ucraniano, Volodymyr
Zelensky, por ocasião da visita deste a Portugal no ano passado, bem
como a participação “nas iniciativas a nível da UE que são feitas em
termos de apoio financeiro, militar e humanitário”.“Também referi aqui nesta conferência as questões relacionadas com a educação, a infância e a juventude”, disse. “Portugal
tem naturalmente uma grande preocupação com a situação humanitária em
geral”, mas muito em particular “com a situação das crianças que vivem
neste cenário de guerra tão difícil”, comentou. “Referi
a participação e o empenho de Portugal com a Fundação Olena Zelenska,
em particular no que diz respeito às 'Superhero Schools', em que
Portugal comprometeu-se a apoiar a criação de dois centros educativos em
hospitais, mas também na forma como Portugal acolhe cidadãos ucranianos
e, em particular, como as crianças também estão integradas nas escolas
em Portugal”, prosseguiu.Entre exemplos do
empenho de Portugal em iniciativas de apoio à Ucrânia, lembrou a
participação nacional em várias coligações internacionais para apoiar a
Ucrânia, no esforço para facilitar o regresso das crianças que foram
raptadas, o envio de ajuda através do mecanismo de proteção civil também
envia apoio à Ucrânia, assim como a participação no esforço em curso
para a criação de um tribunal especial para julgar o crime da agressão
russa à Ucrânia.Depois de o presidente do
Conselho Europeu, António Costa, ter defendido hoje na conferência de
Roma que “a Rússia deve ser responsabilizada pela devastação que causou”
e “assumir a responsabilidade de reconstruir o que procurou destruir”,
Inês Domingos asseverou que Portugal tem apoiado e vai continuar a
apoiar todos os esforços nesse sentido.“As
iniciativas que nós conhecemos e que existem no sentido de que fazer
com que a Rússia seja responsabilizada pelo que está a fazer, Portugal
tem sido sempre um membro ativo e participativo dessas iniciativas”,
disse.Roma acolhe entre hoje e sexta-feira
a quarta edição da Conferência sobre a Recuperação da Ucrânia,
copresidida pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e pelo
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e que conta com mais de 3.500
participantes, entre os quais vários chefes de Estado e de Governo,
dezenas de delegações nacionais e centenas de representantes de
instituições financeiras, empresas, autoridades regionais, municipais,
sociedade civil e diáspora ucraniana.Na
intervenção de abertura, Zelensky defendeu que a “escalada de terror por
parte da Rússia” demonstra que o Presidente russo, Vladimir Putin, não
quer a paz. Por isso, pediu “uma aceleração” da ajuda dos aliados de
Kiev e a aplicação de sanções a Moscovo.Por
seu lado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
anunciou a criação de um fundo europeu que utilizará dinheiros públicos
para atrair investimentos privados para a reconstrução da Ucrânia,
esperando mobilizar 500 milhões de euros até 2026. Na
abertura dos trabalhos, a primeira-ministra italiana anunciou que as
promessas de ajuda para a reconstrução da Ucrânia deverão atingir 10 mil
milhões de euros, referindo-se aos compromissos a assumir nesta IV
Conferência sobre a Recuperação do país, depois das celebradas em Lugano
(Suíça), meses após o início da agressão, em Londres (2023) e em Berlim
(2024).