Portugal quer mostrar ter nível "bastante interessante"
Taranto2026
Hoje 15:32
— Ana Marques Gonçalves/Lusa/AO Online
“A
Missão é composta por 168 atletas, mais outros tantos oficiais e
treinadores. Alguns deles realmente trazem já um background competitivo
muito interessante. Mas nós encaramos os Jogos do Mediterrâneo
essencialmente como uma oportunidade para Portugal se apresentar no
contexto Mediterrâneo, como mais um país que realmente tem um nível
competitivo bastante interessante hoje em dia”, resumiu.Em
entrevista à agência Lusa, antes do início da
competição, na sexta-feira, que descreve como “uma antecâmara para os atletas para
outros eventos, pensando sempre no horizonte de Jogos Olímpicos”, João
Rodrigues garantiu que não é sobre os quatro campeões em título que
integram a Missão – a nadadora Camila Rebelo, o ciclista Rafael Reis e
os atletas João Coelho e Leandro Ramos – que recaem mais esperanças.“Estes
atletas que já obtiveram medalhas, ou mesmo os atletas olímpicos que
vão estar presentes, eu acho que eles têm uma outra responsabilidade
neste campo, que é a de inspirar, motivar, acompanhar aqueles que estão
lá para a primeira vez e que vão olhar para estes atletas como
referências. E esse para mim é o seu principal desafio. Tudo o resto
virá por acréscimo”, defendeu. Tal como em
relação aos desportistas, o chefe de Missão a Taranto2026 também
prefere não elencar os desportos em que Portugal poderá ter mais
sucesso, antecipando eventuais “surpresas de modalidades que não estão
no radar como se […] eventualmente pudessem ter bons resultados”.“Não
me compete a mim aqui estar a relevar mais uma modalidade do que a
outra. Eu acho que todas elas são importantes, todas elas têm o seu
papel. Esta é a equipa de Portugal, e isso está acima das modalidades
até”, acrescentou.Embora reconheça que há a
expectativa de Portugal ‘repetir’ o pecúlio das duas anteriores
participações em Jogos do Mediterrâneo, em que ganhou, respetivamente,
24 (Tarragona2018) e 25 medalhas (Oran2022), o velejador de 54 anos nota
que Taranto2026 foi “muito difícil de encaixar no calendário
internacional, já por si bastante carregado”, uma vez que o evento
trocou as suas datas habituais em junho pelo pela segunda quinzena de
agosto.“E só foi confirmado agora no
início deste ano. Portanto, as federações fizeram um esforço enorme
também para conseguir conciliar os diferentes calendários, e resultou
que em algumas modalidades não vamos ter, obviamente, os melhores
atletas”, completou, enaltecendo a recetividade e colaboração das 28
federações que estarão representadas na ‘cidade dos dois mares’. Rodrigues
realça, contudo, que a ausência dos principais nomes de alguns
desportos dá a oportunidade a atletas mais jovens de estarem presentes
num evento “muito singular, que é diferente do Campeonato do Mundo ou da
Europa”. “Para eles, vai ser uma estreia
completa, porque o formato é praticamente igual ao dos Jogos Olímpicos.
Vamos ter uma Aldeia Olímpica, vamos ter uma Missão, vamos ter todo o
protocolo e toda a logística inerente a uma participação destas. E,
portanto, para estes jovens acho que vai ser um momento extremamente
importante”, reforçou.De acordo com o
também antigo presidente da Comissão de Atletas Olímpicos é “expectável
acreditar” que alguns desses jovens possam estar nos Jogos Olímpicos Los
Angeles2028.“Para eles, será importante
esta antecâmara de preparação para ganharem, no fundo, não só
competências, mas também [...] mecanismos para lidar com toda a
logística da viagem. É uma viagem mais curta, mas ainda assim é uma
viagem que requer pelo menos metade do dia. [...] E o facto de estarem
todos juntos numa Aldeia Olímpica é muito importante”, acrescentou.O
experiente olímpico confia que os Jogos do Mediterrâneo servirão para
os atletas mais jovens se prepararem para o futuro, “registarem os seus
pontos fracos” e trabalharem “nesse campo”. “Vão
ter uma equipa de médicos, de psicólogos e de fisioterapeutas que os
pode ajudar em todas estas valências. Espero que eles aproveitem esta
oportunidade”, concluiu.Esta será a
terceira participação de Portugal nos Jogos do Mediterrâneo, cuja 20.ª
edição vai decorrer entre sexta-feira e 03 de setembro, reunindo em
Taranto (Itália) cerca de 3.800 atletas de 26 países que são ‘tocados’
pelo mar Mediterrâneo.