Portugal quer aprovação do plano da PAC num prazo que reduza incerteza
6 de abr. de 2022, 15:16
— Lusa/AO Online
“Para
Portugal, é importante que o plano seja aprovado num prazo que permita
reduzir os fatores de incerteza para os agricultores e para a
administração e assim possibilitar a operacionalização da PAC [Política
Agrícola Comum] no período 2023-2027 no início do próximo ano”, lê-se na
nota publicada no ‘site’ do GPP.Segundo
o mesmo documento, as autoridades nacionais vão efetuar os ajustamentos
e esclarecimentos necessários, em articulação com a Comissão Europeia
(CE), tendo em vista a aprovação do plano. A
primeira reunião entre os serviços da CE e as autoridades nacionais
decorreu esta segunda-feira, “tendo sido demonstrado um espírito
construtivo e de colaboração institucional”. No final de março, a CE anunciou as primeiras observações sobre os PEPAC propostos por 19 Estados-membros, incluindo Portugal. “A
Comissão salienta a sólida identificação dos desafios que se colocam e a
importância da lógica de intervenção em responder às necessidades
identificadas, realçando o papel que a estimativa das metas dos
indicadores têm no contexto do novo modelo de prestação da PAC”,
destacou o GPP. No
que se refere ao objetivo geral – “Promover um setor agrícola
inteligente, competitivo, resiliente e diversificado, de modo a garantir
a segurança alimentar a longo prazo” – Bruxelas sublinhou os esforços
realizados para melhorar a redistribuição do apoio ao rendimento. Por
outro lado, a CE enalteceu “os esforços propostos para a produção de
energia renovável financiadas através de intervenção da PAC,
utilizando-as para aumentar a produção e utilização sustentável de
energia renovável, incluindo o biogás”. O GPP disse ainda que a CE saudou a ambição do PEPAC face ao aumento das áreas de agricultura biológica. Em
termo dos apoios ao reforço da proteção do ambiente, Bruxelas defendeu
que devem ser esclarecidas as dúvidas quanto à ambição deste plano, bem
como ajustadas às condicionalidades.Na
carta enviada a Portugal, é ainda referido que Portugal deve
proporcionar uma mais elevada ambição climática e ambiental,
nomeadamente, em termos da gestão da água, eficiência na utilização de
nutrientes, prevenção de incêndios e gestão das florestas.“No
que respeita à contribuição do PEPAC para os objetivos previstos à
escala da UE [União Europeia] nas estratégias do Prado ao Prato e
Biodiversidade 2030, embora as mesmas não apresentem um caráter
vinculativo para os Estados-membros, a comissão salienta a importância
de os contributos terem uma expressão quantitativa à escala nacional”,
acrescentou o GPP.Bruxelas
destacou ainda o potencial do PEPAC para o reforço do tecido
socioeconómico das zonas rurais e referiu que a transição para uma
agricultura mais resiliente depende de mais aconselhamento e formação
para agricultores.As
confederações de agricultores, associações ambientais, jovens
agricultores e a federação de regantes tem apresentado várias críticas
ao PEPAC nacional, defendendo que este contém “falhas e imprecisões” e
que não dá resposta às necessidades dos agricultores portugueses. Em
declarações à Lusa, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes,
chegou a admitir que “o calendário não foi o ideal”, ressalvando que tal
não foi culpa do ministério ou da Presidência Portuguesa.“A
primeira proposta do regulamento foi apresentada em julho de 2018 e só
em junho de 2021 é que conseguimos finalizar a reforma da PAC. Tivemos
apenas de julho de 2021 a dezembro para concluirmos e apresentarmos o
plano, sob pena de que, se não o fizéssemos, em janeiro de 2023 os
agricultores podiam perder os apoios”, apontou. Nos próximos dois meses estão previstas reuniões entre Portugal e Bruxelas, tendo em vista a posterior aprovação do PEPAC. Adicionalmente,
os agentes do setor e as partes interessadas também serão chamadas para
encontros, onde serão apresentadas as eventuais alterações ao plano.