Portugal precisa de “personalidade vincada” idêntica à de Sá Carneiro, diz Rui Rio

Eleições

28 de set. de 2019, 11:40 — AO Online/ Lusa

Numa sessão de perguntas e respostas na Guarda, que o PSD tem designado de ‘talk’, o tema de Tancos não foi abordado pelo líder do PSD – apenas pelo cabeça de lista local, Carlos Peixoto -, mas Rui Rio defendeu que a principal reforma necessária na política é a mudança de postura.“A postura da hipocrisia, a postura do politicamente correto, a postura manhosa, nós estarmos na política com hipocrisia, com manha, falsidade e dizer apenas aquilo que todos queremos ouvir e sabemos que não é verdade é profundamente descredibilizador”, afirmou Rio.O líder do PSD admitiu que uma outra via pode ser arriscada, mas é “a única que é capaz de fazer”.“O politicamente correto, a hipocrisia, não sei fazer bem. Se fosse para continuar assim, não seria o melhor protagonista, só se for para dizer o que penso, mesmo sujeito a ter um batalhão de comentadores do politicamente correto contra mim”, assegurou.Rio considerou que “não é por acaso que se assistem a tumultos internos no partido”, dizendo que se deve “estar a mexer na forma” de funcionamento do partido e de estar na vida política.A sessão de campanha decorreu no Cineteatro da Guarda, local escolhido por ter sido onde o fundador do PSD, Francisco Sá Carneiro, fez o primeiro comício na cidade, antes de ser primeiro-ministro, e Carlos Peixoto não resistiu à comparação.“Dizem que a história não se repete, mas nós queremos que a história se repita (…) temos esperança, temos confiança de fazer de si desde a Guarda primeiro-ministro de Portugal”, afirmou, destacando a “hombridade, decoro e princípios” que considera caracterizar os dois líderes do PSD.À entrada, uma exposição homenageava precisamente Sá Carneiro, representado numa figura em cartão quase em tamanho real, que muitos aproveitaram para tirar fotografias.Rui Rio não rejeitou a comparação: “A carga política que eu quero trazer para o PSD é a carga política do PPD, aquilo que era a política do mais genuíno que havia e que o dr. Sá Carneiro a todos nos ensinou”.“É exatamente aquilo de que Portugal mais está a precisar é uma personalidade vincada idêntica aquela que tinha o dr. Francisco Sá Carneiro”, defendeu.O líder da distrital da Guarda considerou que, quer com Sá Carneiro quer com Rui Rio, não se passaria em Portugal um caso como o de Tancos, salientando que o processo já não está em segredo de justiça.“Há uma troca de mensagens em que o anterior ministro assume que tinha conhecimento da ‘encenação’, assume que sabia que as armas iam aparecer e que ia ao parlamento mentir. O que é que o primeiro-ministro diz de um ministro da Defesa que ele escolheu e que mente aos portugueses e mente ao parlamento?”, questionou o cabeça de lista do PSD pela Guarda.Numa sessão de perguntas de mais de uma hora, e em que voltaram a ser repetidas questões sobre temas como a saúde, descentralização e economia, Rio deixou ainda um ataque ao PS em matéria de pensões.“Quando o PS vem dizer que se o PSD ganhar lá vêm cortes nas pensões, não é honesto do ponto de vista político, porque sabe que isso não é verdade”, criticou, assegurando que se os sociais-democratas vencerem as eleições “aplicarão a lei” e as pensões subirão, umas à taxa da inflação e outras acima.Em 2015, a coligação PSD/CDS-PP elegeu dois dos quatro deputados escolhidos pela Guarda, círculo que nestas legislativas perdeu um deputado, e Carlos Peixoto assumiu como meta manter ambos.