Portugal pode “tirar o máximo” do fundo de recuperação da UE
29 de set. de 2020, 13:48
— Lusa/AO Online
“Portugal não está só bem colocado para tirar o
máximo do ‘Next Generation EU’, como pode dar um ‘blueprint’ [projeto]
para os outros”, disse Ursula von der Leyen, apontando como exemplo o
“forte ênfase nas reformas” do programa europeu que encontra, em
Portugal, um país com “enorme experiência” de reformar.A
presidente da Comissão Europeia falava na Fundação Champalimaud, em
Lisboa, onde apresentou as prioridades do plano de recuperação e
resiliência da União Europeia (UE), o ‘Next Generation EU’, que
enquadrou com constantes referências a circunstâncias específicas de
Portugal e dos portugueses.Von der Leyen
começou por apontar Lisboa como “lugar perfeito para falar de futuro”,
destacando a “mistura perfeita de tradição e modernidade” que Lisboa
representa e apontando como “o passado e o presente podem ser um guia
para o futuro”.A chefe do executivo
europeu saudou a resposta dos portugueses à pandemia causada pelo novo
coronavírus, salientando a “humildade, responsabilidade e
solidariedade”, que ilustrou com vários exemplos, como a iniciativa
privada para disponibilizar quartos para os profissionais de saúde.“Portugal mostrou o seu melhor e o melhor da Europa”, disse.Von
der Leyen evocou o terramoto de 1755, ocorrido numa fase “de grande
mudança e progresso na Europa”, como “exemplo de renovação e
recuperação” em tempos de pandemia, também ela ocorrida num momento de
“profundas mudanças na Europa” como as transições energética e digital.“A
necessidade de voltarmos a levantar-nos é hoje tão importante como no
séc. XVIII”, afirmou, admitindo que “os tempos são diferentes” e exigem
“formas de fazer as coisas diferentes”, mas destacando que o plano de
recuperação de Portugal “espelha as prioridades” do fundo de recuperação
europeu (Next Generation EU).Daí parte
importante do plano europeu ser o investimento “na sociedade de amanhã”,
em que, disse, Portugal tem vantagem pelos investimentos que fez
“sobretudo na transição verde e digital”.No
plano ambiental, Von der Leyen deu como exemplo os incêndios florestais
a que “Portugal está infelizmente habituado”, que aumentaram de
frequência e intensidade devido às alterações climáticas.“Isto
é só o princípio [dos efeitos] das alterações climáticas. Há uma
necessidade urgente de agir, mas também uma enorme oportunidade para
todos os que investirem cedo na transição”, disse.A
terminar a intervenção, a presidente da Comissão elogiou a
“extraordinária responsabilidade e resiliência” dos portugueses à
pandemia, como antes à crise económica e financeira, ou antes mesmo, ao
longo da história.“Portugal é um país de
grandes exploradores […] Um país que sempre navegou em águas não
cartografadas ‘Por mares nunca antes navegados’, para citar o grande
Luís de Camões. Não posso pensar num país melhor para nos guiar por esta
tempestade e para rumar ao nosso futuro”, concluiu Ursula von der
Leyen.