"Portugal pode ser dos melhores do mundo a controlar terceira vaga"
Covid-19
8 de fev. de 2021, 12:42
— Lusa/AO Online
“Fomos
dos melhores do mundo no primeiro confinamento, os piores na origem da
terceira vaga e vamos ser um dos países do mundo que mais depressa
conseguiu controlar a terceira vaga porque de facto houve uma adesão
fantástica ao confinamento e o resultado está à vista”, disse em
declarações à agência Lusa.Os vírus,
adiantou, transmitem-se por gotículas e se forem inibidos os movimentos
com confinamentos, uso de máscaras e distanciamento social, as cadeias
de transmissão são interrompidas abruptamente.“Isto
era perfeitamente previsível e dependia do bom comportamento e adesão
ao confinamento total e o que eu vejo é que houve uma adesão fantástica e
o resultado está a vista porque a biologia é factual. Se não houver
contactos e as pessoas aderirem às regras os vírus não se conseguem
transmitir. Está nas nossas mãos. É por isso que a curva de decréscimo é
tão abrupta”, frisou o virologista do Instituto Molecular da
Universidade de Lisboa Pedro Simas referiu que de 28 de fevereiro a 06 de fevereiro Portugal passou de uma média de 12.890 casos para 7.270 casos.“É
fantástico. Está a ser tão bem executado que já se nota ao fim de duas
semanas um decréscimo significativo no número de mortes. A 31 de janeiro
tínhamos em média 288 mortes nos últimos sete dias e agora temos 253.
Há aqui também aqui uma tendência e isto significa que temos bons
serviços de saúde e apesar das dificuldades o Serviço Nacional de Saúde
está a ter um bom desempenho. Só temos motivos para estar orgulhosos”,
disse.O encerramento das escolas foi para Pedro Simas determinante para esta inflexão da curva de crescimento.“O
encerramento das escolas foi determinante porque é uma mensagem clara
para a sociedade portuguesa. Quando se fecha as escolas é porque o
assunto é sério “, disse, adiantando que ter as escolas abertas
implicava muito movimento dos adultos.O
virologista alerta que é agora muito importante aprender com o passado e
perceber que é preciso desconfinar com regras para que Portugal não
corra maior risco de ressurgimento de uma quarta vaga, lembrando que foi
o relaxamento das medidas antes, durante e após o Natal que levou à
terceira vaga do vírus.“Já percebemos a
dinâmica do vírus. Como se consegue controlar? a nível da sociedade
aderindo as regras de distanciamento físico, o uso da máscara e inibindo
ao máximo os contactos desnecessário”, frisou.A
combinação destes fatores, defendeu, vai fazer a diferença para se
conseguir ganhar liberdade. mantendo o nível de infeções a níveis
aceitáveis.Pedro Simas reforça a
necessidade de haver cautela no desconfinamento, defendendo que só
deveria ser pensado quando o país atingir entre os 700 e os 1400 novos
casos por dia.“Seria ótimo e estaríamos
num nível de segurança grande em que seguindo as regras conseguíamos
controlar e evitar uma quarta vaga”, afirmou, observando que é possível
que dentro de duas a três semanas Portugal atinja esses valores ideais
de segurança para uma tomada de decisão sobre o desconfinamento.“(o
desconfinamento) É quando os números permitirem porque são um efeito
direto do nosso comportamento e refletem diretamente se estamos a
controlar ou não”, frisou.Pedro Simas destacou ainda que está a acontecer no mundo um decréscimo exponencial do número de infeções."De
fevereiro até agora tem vindo sempre a subir em todo o mundo até ao dia
23 de dezembro. Entre 23 e 28 baixou um pouco voltando a subir até 11
de janeiro. De 11 de janeiro até 6 de fevereiro tem vindo sempre a
baixar. Nunca houve um decréscimo tão grande a nível mundial", disse,
assinalando este facto como uma nota positiva, mas vincando que existe
preocupação quanto a uma eventual quarta vaga, sendo por isso necessário
e determinante todo o cuidado no pós confinamento.