Portugal pode receber 465 ME com reforço proposto para Fundo de Transição da UE
Covid-19
28 de mai. de 2020, 10:56
— Lusa/AO Online
Um dia após ter
apresentado a sua proposta de um Fundo de Recuperação da economia
europeia, para superar a crise provocada pela Covid-19, num montante
global de 750 mil milhões de euros, o executivo comunitário especificou esta, quinta-feira, setorialmente, algumas das medidas sugeridas, e relativamente a
este fundo para a transição energética apontou que a ideia é aumentar a
sua capacidade dos 7,5 mil milhões de euros inicialmente previstos para
40 mil milhões.Lembrando que a proposta
original que apresentou, em janeiro passado, para este fundo destinado à
descarbonização de regiões especialmente dependentes dos combustíveis
fósseis, previa um orçamento de 7,5 mil milhões de euros, a Comissão
indica hoje que a ideia agora passa por reforçá-lo significativamente,
dado a pandemia da Covid-19 ter aumentado as necessidades de auxílio às
regiões mais vulneráveis para enfrentarem os choques socioeconómicos da
transição para a neutralidade carbónica.“Sobre
os 7,5 mil milhões de euros propostos, a Comissão propõe agora um
financiamento adicional substancial de 2,5 mil milhões no quadro do
próximo orçamento de longo prazo da UE [2021-2027] e de 30 mil milhões a
partir do «Next Generation EU»”, o Fundo de Recuperação apresentado na
quarta-feira, indica o executivo comunitário, que estima assim que o
Fundo de Transição Justa possa passar a contar com um montante total de
40 mil milhões de euros. Este
significativo reforço orçamental representará então um aumento
significativo na alocação prevista para os Estados-membros, e, de acordo
com as estimativas hoje disponibilizadas pela Comissão, Portugal pode
então receber 465 milhões de euros (preços de 2018), um aumento de 385,8
milhões face à verba prevista há cinco meses.O
principal beneficiário do Fundo será a Polónia, com uma verba de 8 mil
milhões de euros, seguida da Alemanha, com 5,1 mil milhões. O
financiamento ao abrigo deste mecanismo deve ser utilizado pelos
Estados-membros para atenuar os impactos socioeconómicos da transição
verde nas regiões mais afetadas, apoiando, por exemplo, a requalificação
dos trabalhadores, ajudando as pequenas e médias empresas (PME) a criar
novas oportunidades económicas, e diversificando globalmente a
atividade económica, investindo no futuro das regiões mais afetadas.“Temos
de assegurar que a transição para uma economia neutra em termos
climáticos se processe de uma forma justa. A proposta hoje apresentada é
um instrumento essencial para garantir esta equidade, complementando os
esforços da política de coesão no apoio às regiões e aos cidadãos mais
vulneráveis”, comentou a comissária Elisa Ferreira, responsável pela
Coesão e Reformas, e que tem a seu cargo o Fundo de Transição Justa.O
reforço do Fundo de Transição Justa é apenas um dos muitos elementos da
proposta apresentada na quarta-feira pela Comissão Europeia de um Fundo
de Recuperação de 750 mil milhões de euros para “reparar os danos”
provocados pela pandemia da covid-19 na União Europeia, podendo Portugal
receber no total, entre subvenções e empréstimos, aproximadamente 26
mil milhões de euros.A proposta
apresentada pela presidente do executivo comunitário, Ursula von der
Leyen, prevê que, do montante global do Fundo, a ser angariado pela
própria Comissão nos mercados, 500 mil milhões sejam canalizados para os
Estados-membros através de subsídios a fundo perdido, e os restantes
250 mil milhões na forma de empréstimos.Para
apoiar os 27 com investimentos e reformas, Bruxelas sugere então um
novo Mecanismo de Recuperação e Resiliência de 560 mil milhões de euros
(com subvenções no valor máximo de 310 mil milhões de euros e até 250
mil milhões de euros em empréstimos). Bruxelas
propõe ainda que sejam concedidos 50 mil milhões de euros adicionais
aos atuais programas da política de coesão ao abrigo da nova iniciativa
“REACT-EU”, o reforço do novo Fundo para uma Transição Justa para que
atinja os 40 mil milhões de euros, e um reforço de 15 mil milhões de
euros do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural.Só
hoje é que o executivo comunitário publicará a “chave de repartição”
dos apoios a distribuir entre os 27 ao abrigo do Fundo de Recuperação –
que tem em conta as regiões e setores mais atingidos pelo Grande
Confinamento –, mas, de acordo com documentos aos quais a Lusa teve
acesso, Portugal poderá arrecadar um total de 26,3 mil milhões de euros,
15,5 mil milhões dos quais em subvenções e os restantes 10,8 milhões
sob a forma de empréstimos (voluntários) em condições muito favoráveis. O
primeiro-ministro, António Costa, já saudou a "ambiciosa" proposta da
Comissão Europeia, considerando que Portugal está perante "uma enorme
oportunidade para se dotar de uma estratégia de valorização dos recursos
naturais e para a reindustrialização do país". "Este
programa tem de ser pensado de forma estratégica. É uma oportunidade
única para o relançamento da economia no atual contexto de crise, mas
também para criar as bases de um desenvolvimento saudável, tendo em
vista que o país tenha um papel mais relevante na cadeia de valor do
contexto europeu", declarou na quarta-feira à noite.O
primeiro-ministro disse esperar agora “que não seja o Conselho a
frustrar a esperança que a Comissão Europeia abriu", numa alusão
indireta aos quatro países que se têm oposto à existência de subvenções a
Estados-membros, ou ao recurso a mecanismos de mutualização da dívida:
Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia, os chamados ‘frugais’.