Portugal participou com 1335 militares em missões internacionais na segunda metade de 2024
16 de jul. de 2025, 11:37
— Lusa/AO Online
Estes dados
constam de um relatório elaborado pela Direção-Geral de Política de
Defesa Nacional, ao qual a agência Lusa teve acesso, e que será debatido
esta tarde na comissão parlamentar de Defesa.De
acordo com este documento, foram empenhados 1335 efetivos no segundo
semestre do ano passado: 722 militares (54,1%) no âmbito de missões da
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), 247 (18,5%) na
Organização das Nações Unidas; (ONU), 112 (8,4%) em missões da União
Europeia.Além destes, 126 militares (9,4%)
foram empenhados no quadro bilateral e multilateral, 39 (2,9%) na
FRONTEX e participaram nestas missões 89 assessores militares.O
relatório destaca o mês de julho, durante o qual Portugal participou em
26 missões e chegou a empenhar, ao mesmo tempo, 1.074 efetivos, número
mais elevado de todo o ano.De acordo com
um gráfico que contabiliza o total de efetivos das Forças Nacionais
Destacadas e Agência FRONTEX empenhados por mês, o ano começou com 598
militares portugueses em missões internacionais, número que foi
aumentando até atingir os 1072 em abril, 1066 em maio, 965 em junho e
1074 em julho, número mais elevado do ano.A trajetória foi descendo até chegar aos 740 em dezembro.A
participação de mulheres em missões internacionais manteve-se sempre
abaixo dos 100 efetivos por mês, com o maior número (91) a verificar-se
em julho e novembro.No que diz respeito às
áreas geográficas, 35,5% verificou-se na região da Europa Centro e
Leste, 34,1% em África (região centro e Costa Oriental), 16,2% no Mar do
Norte e Mar Báltico, 7,6% no Golfo da Guiné e Costa Ocidental africana,
6,1% no Mediterrâneo e 0,5% na região de Ásia e América do Sul.“Portugal
manteve, no 2.º semestre de 2024, uma presença expressiva em missões e
Forças Nacionais Destacadas no âmbito multilateral (ONU, UE e NATO) e
bilateral, com especial atenção para o Flanco Sul (África Central e
Subsaariana, Golfo da Guiné e PALOP), Flanco Leste (Roménia e Lituânia) e
Atlântico, Báltico e Mediterrâneo, empenhando meios navais, terrestres e
aéreos, de acordo com as orientações políticas de defesa nacional
superiormente definidas”, lê-se no texto.Foram
ainda tidas em conta as conclusões da cimeira da NATO de 2023, em
Vilnius, Lituânia, “a situação operacional decorrente da Guerra na
Ucrânia” e “a volatilidade da situação securitária em África”.Apesar
das tensões geopolíticas que levaram vários países europeus a reforçar a
sua presença na região leste da Europa, o relatório destaca que
Portugal prossegue com o seu investimento em África, no Atlântico Sul e
no Índico (Golfo da Guiné – República Centro Africana - Moçambique -
Somália).No caso da República Centro
Africana, onde Portugal está presente desde 2016 e tem atualmente cerca
de 240 militares, segundo o ‘site’ oficial do Estado-Maior-General das
Forças Armadas (EMGFA), a participação portuguesa contribuiu “de forma
muito empenhada para a estabilização do país”.“Esta
realidade, somada à experiência recolhida durante o empenhamento
contínuo na missão, tem permitido a Portugal um conhecimento profundo da
realidade centro-africana, das suas particularidades e dos fatores que
influenciam o desempenho da missão. A experiência no terreno tem
igualmente permitido a Portugal aplicar as lições aprendidas (úteis para
balizamento de futuras projeções no país e na região), sendo importante
aproveitar o ‘leverage’ [alavancagem] alcançado por Portugal nesta
região”, lê-se no texto.