Portugal pagou em 2022 mais de 323 mil euros em indemnizações decididas por Tribunal dos Direitos Humanos
6 de abr. de 2023, 09:20
— Lusa/AO Online
O relatório anual
relativo a 2022 do Comité de Ministros, responsável pela supervisão da
execução dos acórdãos do TEDH, adianta que se registou o pagamento
integral da compensação concedida pelo tribunal em nove processos,
aguardando-se “a confirmação do pagamento integral e/ou dos juros de
mora em seis processos para os quais o prazo indicado no acórdão do
Tribunal já passou há mais de seis meses”.O
TEDH, criado em 1959, é um tribunal internacional do Conselho da Europa
que analisa queixas sobre violações da Convenção Europeia dos Direitos
Humanos (CEDH).Os Estados membros são
atualmente 46, depois da saída da Rússia em março do ano passado, e
estão obrigados a respeitar as decisões definitivas do tribunal,
incluindo a Federação Russa, de acordo com o direito internacional.O
número de processos contra Portugal no Tribunal de Estrasburgo com
execução suspensa aumentou em 2022 para 39, face a 28 no ano anterior.Dos
39 processos com execução pendente por parte de Portugal, três eram
casos principais “classificados com procedimento reforçado” e 12 eram
casos principais “classificados com o procedimento ‘standard’”.Dos
três primeiros, “um está pendente há cinco anos ou mais” e “cinco dos
principais casos sob procedimento padrão estão pendentes há cinco anos
ou mais (em comparação com quatro em 2021 e três em 2020)”.Entre
os processos pendentes estão "um grupo de casos relativos à duração
excessiva dos processos civis e administrativos e outro grupo relativo à
sobrelotação e às condições materiais das prisões e à falta de soluções
eficazes”, adianta a análise.O 16.º
relatório anual do órgão político do Conselho da Europa, ao qual a
sentença definitiva do TEDH é transmitida, refere que este recebeu do
tribunal europeu 16 processos contra Portugal para fiscalização da sua
execução (face a 11 em 2021 e nove em 2020).O
balanço de 2022 sobre Portugal adianta que o Comité de Ministros
encerrou cinco casos e que “as autoridades apresentaram dois planos de
ação, 10 relatórios de ação e duas comunicações”.Além
de um resumo dos principais progressos e desafios registados na
execução dos julgamentos do Tribunal, este relatório fornece pela
primeira vez dados estatísticos por país e informações sobre os casos
novos, pendentes e encerrados, bem como sobre o pagamento de
indemnizações pelos Estados arguidos.Durante
o ano de 2022, “marcado pela agressão da Federação Russa contra a
Ucrânia, em flagrante violação do Estatuto do Conselho da Europa”, o
Comité de Ministros “examinou 145 processos ou grupos de processos
relativos a 32 Estados (incluindo processos contra a Federação Russa),
53 dos quais foram analisados (…) mais de uma vez”.Também
concluiu “a supervisão da execução de 880 casos, incluindo 200 casos
principais que exigiam medidas específicas e muitas vezes abrangentes
dos Estados para garantir a não-repetição das violações”.Entre
estes Estados encontra-se a Arménia, que realizou “emendas
constitucionais e estatutárias relativas à competência do governo para
declarar estado de emergência” e uma revisão judicial de tais decisões,
enquanto a Croácia alterou legislação sobre as investigações de crimes
de guerra e a Grécia modificou a legislação criminal em relação às
investigações sobre crimes com motivação racial.No
caso da Lituânia foi alterada a Constituição “para permitir que
políticos impugnados se candidatassem às eleições para o Parlamento após
um determinado período de tempo” e a Turquia mudou procedimentos da
administração prisional de modo a aumentar a proteção dos presos LGBTI
(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo).O
comité continuou a análise dos três casos entre Estados pendentes e de
oito processos ou grupo de processos relacionados com situações
pós-conflito ou de conflitos não resolvidos, que “são particularmente
desafiadores, demorados e difíceis devido às suas dimensões e
complexidades políticas”, refere o relatório.Adianta
que a comissão recebeu um número recorde de participações de
organizações da sociedade civil e de órgãos nacionais de direitos
humanos (217 relativas a um total de 29 Estados), considerando aquelas
comunicações “um desenvolvimento especialmente incentivador”.Segundo
o relatório, o Comité de Ministros enfrenta um duplo desafio, não só
continua a aumentar a complexidade e sensibilidade política e jurídica
das questões analisadas, como tal é agravado pelo “elevado número de
problemas sistémicos ou complexos de longa data que não foram resolvidos
pelos Estados envolvidos”.