Portugal não tem novos casos da variante Ómicron em investigação
Covid-19
29 de nov. de 2021, 15:57
— Lusa/AO Online
O
microbiologista disse à Lusa que os 13 casos da variante Ómicron até
agora identificados em Portugal foram apontados como suspeitos pelas
autoridades de saúde e por indicação da Direção-Geral de Saúde as
amostras foram encaminhadas para o Instituto Ricardo Jorge.O
diagnóstico foi feito num laboratório de referência que efetuou os
testes preliminares, que têm “um elevadíssimo valor preditivo e que
consistem essencialmente na identificação de grupos de mutações que no
seu conjunto só podem estar presentes se se tratar da variante Ómicron”,
adiantou João Paulo Gomes.“As amostras
estão agora a ser sequenciadas para uma confirmação final, mas em
princípio a suspeita confirmar-se-á”, sublinhou o coordenador do estudo
sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal,Em
termos epidemiológicos, trata-se de casos associados à SAD do
Belenenses que, segundo a DGS, envolvem jogadores e pessoas de equipa
técnica do Belenenses SAD e “tudo estará associado a um contacto com um
deles que terá estado na África do Sul a meio do mês e terá vindo
infetado”.Ainda segundo informação da DGS,
disse João Paulo Gomes, “aparentemente estão todos ou assintomáticos ou
com sintomatologia muito ligeira”, o que, "apesar de ser uma
amostragem, que vale o que vale, é uma boa notícia”.O
investigador salientou que o INSA irá continuar a fazer a monitorização
contínua e análise de casos suspeitos para a qual recebe amostragens da
rede de laboratórios.As autoridades de
saúde que estão no terreno estarão com “uma preocupação redobrada para
perceber o historial de viagem de pessoas associadas à África do Sul ou
países vizinhos”.“Esses casos suspeitos
são enviados para o INSA para que nós rapidamente, além da amostragem
global, façamos o despiste também desses casos suspeitos e eu penso que é
a abordagem correta a ter”, afirmou.Sobre
as medidas impostas para travar a transmissão da nova variante, João
Paulo Gomes afirmou que “todas as medidas que apontem para uma
prevenção, uma menor introdução das variantes que vão emergindo, e uma
menor disseminação das mesmas são sempre positivas”.Considerou,
contudo, que pode ter havido “algum exagero” por parte de alguns
países, porque se trata de uma variante do coronavírus conhecido há dois
anos. “Nós não estamos perante uma nova
pandemia, um novo vírus, isto não é o SARS-CoV-3”, salientou,
considerando que se a população continuar a tomar medidas de precaução,
não existem “motivos para alarme”.“Uma
coisa é termos como medidas de precaução algum cuidado a nível de evitar
as introduções ou tentar retardar a existência das mesmas e nessa
perspetiva o bloqueio de voos de países onde esta nova variante está a
crescer muito, como é o caso da áfrica do sul e todos os países vizinho,
pode ter sido uma medida de facto muitíssimo positiva”, adiantou.
No entanto, acrescentou, “outros países foram muito mais à frente e de
repente entraram em pânico, como o Reino Unido, e independentemente da
origem dos passageiros já obrigam a um teste PCR no segundo dia, com um
confinamento obrigatório em que isto vai ter um impacto enorme em termos
de sociedade, em termos de economia e de cancelamento de voos não tenho
dúvidas nenhumas”.Para João Paulo Gomes,
todas as medidas que possam ser tomadas para controlar a subida do
número de casos, a subida do número de internamentos e toda a
mortalidade a ela associada não deve ser feita em função da Ómicron, mas
sim “em função de um controlo a nível da pressão do Serviço Nacional de
Saúde”.