"Portugal não é um país corrupto mas não haverá impunidade"
20 de out. de 2020, 16:43
— Lusa/AO Online
"O país não é
corrupto e as instituições não são corruptas", disse Luís Neves,
adiantando que "sim, há corruptos" e que a Polícia Judiciária (PJ) irá
"reforçar esse combate à corrupção" e à criminalidade
económico-financeira em geral.O diretor
nacional discursava na cerimónia solene comemorativa dos 75 anos da PJ
em que estiveram presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de
Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e a ministra da Justiça,
Francisca van Dunem, entre outros altos responsáveis do Estado e das
forças de segurança.No final da cerimónia,
Luís Neves esclareceu que ao afirmar que "o país não é corrupto" estava
a insurgir-se contra os discursos populistas nesta matéria, tendo na
sua intervenção oficial garantido que "não haverá impunidade" para a
corrupção e crimes conexos que, disse, "minam a economia" portuguesa.Na
cerimónia em que o Presidente da República agraciou a PJ com a Ordem do
Infante D. Henrique, Luis Neves realçou os valores de "integridade,
imparcialidade, coragem e seriedade" que norteiam este corpo superior de
polícia e apontou para os perigos dos desafios que se avizinham à
escala nacional e internacional, incluindo o "terrorismo e a ascensão do
populismo e dos discursos de ódio"."Os
tempos que se avizinham não são fáceis, mas não enjeitamos as
responsabilidades", enfatizou o diretor nacional da PJ, que se
congratulou com o facto de o atual Governo ter sido aprovado o novo
Estatuto e a nova Lei Orgânica desta polícia de investigação criminal,
já em vigor.O diretor nacional da PJ
alertou também para a necessidade de colocar o enfoque desta polícia na
cibercriminalidade (que está em expansão), bem como na luta contra o
tráfico de armas e o tráfico de droga, a par do combate ao terrorismo
que aparece com "novas roupagens".Quanto
ao Orçamento do Estado e à gestão dos dinheiros públicos pela PJ, Luís
Neves referiu que a "PJ é um investimento seguro" porque há "um retorno
garantido" na luta contra o crime e na apreensão dos bens e valores
ilícitos e branqueados pela criminalidade.Apelou
ainda à ajuda das restantes forças de segurança e também das Forças
Armadas no combate a todas as formas de criminalidade e congratulou-se
com o esforço do governo em lançar novos concursos para entrada de novos
inspetores e especialistas/peritos na PJ, um assunto também falado pela
ministra da Justiça, ao dizer que entraram 150 novos inspetores e que
abriu já concurso para mais cem.Luís Neves
mostrou-se otimista quanto ao futuro trabalho da PJ, aliado ao
investimento e apetrechamento tecnológico e reforço de meios humanos e
melhores condições de trabalho.