Portugal já manifestou interesse à Comissão Europeia para empréstimos na defesa
23 de jun. de 2025, 10:59
— Lusa
A informação foi avançada à agência
Lusa por fontes europeias, que indicaram que Portugal – assim como
Polónia, França, Lituânia, Estónia, Roménia, Bulgária, Eslováquia,
Grécia e Letónia – já manifestaram “forte interesse” em obter tais
empréstimos.As mesmas fontes salientaram
que ainda não houve uma formalização, dado que o prazo para tal
acontecer é final de julho, e que ainda não existem envelopes de
alocação.Em entrevista à agência Lusa
publicada no fim de semana, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda
Sarmento, admitiu que o Governo poderia recorrer ao programa e defendeu
aquisições conjuntas na UE, nomeadamente para venda de um avião militar
produzido em Portugal.“É possível que […]
se recorra ao SAFE, embora as condições de financiamento do SAFE, neste
momento, não sejam particularmente mais favoráveis do que as condições
de financiamento da República [portuguesa], mas estamos a analisar todas
as alternativas que existem”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento.A
poucos dias da cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte
(NATO) - marcada por fortes tensões geopolíticas no Médio Oriente e na
Ucrânia e pela necessidade de aumentar o investimento em segurança -, o
governante apontou também que “há um avião militar que é produzido em
Portugal e o [Ministério da] Defesa está, neste momento, a desenvolver
acordos com outros países para a compra desse avião”.A
ideia seria não só que Portugal beneficiasse destes empréstimos
comunitários (iniciativa designada como SAFE), mas que também fizesse
parte de projetos europeus, podendo ainda vender equipamentos produzidos
no país.“O que o Ministério da Defesa
está a fazer […] é a estabelecer protocolos com outros países para que
esses países possam adquirir este avião que é produzido maioritariamente
em Portugal”, assinalou Joaquim Miranda Sarmento na entrevista à Lusa.O
ministro das Finanças aludia ao KC-390, um avião bimotor produzido com
componentes feitas em Évora e da empresa brasileira Embraer.É
um avião de transporte militar multifacetado para uso tático e
logístico, que por ter alcance intercontinental pode ser usado em
operações militares, designadamente da NATO.No
final de maio, o Conselho da UE adotou este pacote de 150 mil milhões
de euros em empréstimos a condições favoráveis para compras conjuntas
que reforcem a defesa comunitária, que os países podem solicitar a
Bruxelas até final do ano.Previsto está
que este pacote de empréstimos, designado como SAFE, facilite compras
conjuntas de material militar entre os Estados-membros e seja financiado
através de dívida conjunta emitida pela UE e depois transferida sob a
forma de créditos aos Estados-membros que os solicitarem.Este
novo instrumento europeu de crédito em circunstâncias extraordinárias é
uma das medidas do plano de 800 mil milhões de euros para defesa na UE.Ainda
englobado nesse plano europeu estão 650 mil milhões de euros em espaço
orçamental que os países podem ter para investir em defesa, após a
ativação da cláusula nacional de salvaguarda das regras orçamentais da
UE que permite excluir até 1,5% do PIB em gastos militares dos limites
do défice. Lisboa já teve ‘luz verde’ de Bruxelas para o fazer.Os
32 aliados da NATO reúnem-se na terça e quarta-feira em cimeira na
cidade holandesa de Haia sob a urgência de gastar mais em defesa.