Portugal integra rota do tráfico marítimo de cocaína para a Europa
Hoje 11:54
— Lusa/AO Online
“As quantidades [de
cocaína] apreendidas no total diminuíram na Europa ocidental e central e
deslocaram-se dos principais portos da Bélgica, Alemanha e Países
Baixos para a França, Portugal e Espanha”, refere o relatório de 2026 do
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em
inglês).O documento salienta que o tráfico
de cocaína sofreu grandes adaptações nas rotas para a Europa ocidental e
central, devido à cooperação internacional entre agências, que levaram a
que a quantidade de apreensões aumentasse sete vezes entre 2014 e 2023.
A UNDOC adiantou à Lusa que a redução da
quantidade de cocaína apreendida em portos de grande dimensão, como os
de Antuérpia, de Roterdão e de Hamburgo, fez com que se verificasse
“agora uma mudança para portos mais pequenos e também para outros
países, como Portugal, Espanha e França”.Uma
das inovações para transportar a droga é a utilização de
semi-submersíveis para o tráfico de longa distância, embarcações com um
perfil muito baixo e normalmente feitas de fibra de vidro para tentar
evitar a deteção por radar, permitindo o transporte de até 10 toneladas
num único carregamento.“É relevante
salientar que há um aumento do uso de submersíveis que são intercetados
perto dos Açores e da costa de Portugal” continental, referiu a mesma
fonte.Se até recentemente estas
embarcações tinham sido registadas no tráfico em distâncias curtas no
Oceano Pacífico ou no Mar das Caraíbas, os dados mais recentes indicam
que passaram também a ser utilizadas em rotas transatlânticas.“Durante
o período de 2023 a 2025, fontes abertas documentaram pelo menos seis
casos de deteção de tais embarcações perto da Península Ibérica ou das
ilhas de Portugal. Estes casos incluíram uma ocorrência que resultou na
apreensão de 6,5 toneladas de cocaína a cerca de 500 milhas náuticas a
sul dos Açores”, indica o relatório.A
produção de cocaína continuou a crescer em 2024, aumentando mais de
quatro vezes nos últimos dez anos, para uma estimativa de mais de 4.000
toneladas na forma pura, impulsionada principalmente pelo aumento da
produtividade e da área cultivada.O
documento alerta ainda que o consumo de drogas ilícitas continua a
aumentar em todo o mundo, num total estimado de 331 milhões de pessoas
em 2024, ou seja, ou 6,2% da população mundial entre os 15 e os 64 anos,
um crescimento de 34% numa década.A
canábis continua a ser a droga mais utilizada no mundo, com 256 milhões
de consumidores em 2024, seguida pelos opioides (63 milhões),
anfetaminas (32 milhões), cocaína (25 milhões) e ecstasy (21 milhões).De
acordo com a UNODC, os fabricantes de drogas ilícitas continuam a
inovar em novas substâncias sintéticas numa tentativa de evitar a sua
deteção, tendo sido apreendidos cinco vezes mais tipos de drogas em 2024
do que antes de 2000.O número de novas
substâncias psicoativas em circulação nos mercados de drogas atingiu as
755 em 2024, com 118 destas substâncias relatadas pela primeira vez,
alerta o relatório.