Portugal gasta 100 mil euros por aluno desde que entra na escola até ao 9.º ano
3 de out. de 2022, 15:59
— Lusa/AO Online
“A
despesa por estudante desde o ensino básico ao superior em Portugal é
inferior à média da OCDE”, revela o relatório anual da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) “Education at a Glance
2022”, numa comparação entre 36 países, tendo em conta a Paridade do
Poder de Compra (PPC) para o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país.Em
2019, Portugal gastou 10.854 euros por estudante, enquanto a média da
OCDE foi de 12.353 euros por aluno, segundo o documento hoje divulgado
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico OCDE.O
estudo indica que não há grandes diferenças entre o custo de um aluno
que está no 1.º ciclo ou a terminar o secundário, porque a oferta de
educação em termos de currículos, estilos de ensino e gestão
organizacional “conduzem a padrões semelhantes de despesas”.Nos
países da OCDE, um aluno do 1. e 2.º ciclos custa em média cerca de
10.223 euros por ano, enquanto os estudantes do 7.º ao 12.º anos
representam uma despesa anual de cerca de 11.745 euros. Em Portugal, os
valores são ligeiramente mais baixos: As crianças até ao 6.º ano
representam um custo de 9.264 euros, e os mais velhos rondam os 11.500
euros.Assim, a despesa acumulada com a
educação de um aluno numa escola portuguesa desde que entra para o 1.º
ciclo (aos seis anos) até aos 15 anos é de 100 mil euros (100.460
euros), o que volta a ser ligeiramente abaixo da média da OCDE (108 mil
euros).Quando chegam ao ensino superior, a
despesa aumenta. Em Portugal um aluno representa um custo médio de 12
mil euros, o que é quase três mil euros acima do valor médio gasto no
ensino básico e pouco mais de 700 euros do secundário.Mas
as despesas com o ensino superior variam muito entre países da OCDE. A
despesa média é de 18 mil euros, um valor impulsionado por países como o
Luxemburgo onde um aluno custa em média 50 mil euros anuais.Portugal
está assim os que gastam menos da OCDE, já que na lista dos 36 países,
apenas sete têm valores anuais inferiores a Portugal: Coreia, Lituânia,
Chile, Turquia, México, Colombia e Grécia.No
entanto, olhando para o investimento tendo em conta o Produto Interno
Bruto (PIB), as diferenças esbatem-se. Em 2019, os países da OCDE
gastaram, em média, 4,9% do seu PIB com o ensino superior, altura em que
Portugal gastou ligeiramente abaixo (4,8% do PIB).Comparando
investimento público com investimento privado, o ensino obrigatório
continua a ser um terreno de dinheiros públicos em todos os países da
OCDE. As contas do financiamento privado
representam 10% das despesas do ensino obrigatório em toda a OCDE e 11%
em Portugal. Já no ensino superior, a quota-parte da despesa atingiu 31%
em 2019 em Portugal, um valor igual ao da média da OCDE.