Portugal foi o terceiro país europeu com mais ataques informáticos a que a IBM respondeu em 2022
22 de fev. de 2023, 06:33
— Lusa/AO Online
A
IBM Security X-Force Threat, uma equipa na multinacional
norte-americana que lida com ameaças informáticas e que é formada por
'hackers' (piratas informáticos), técnicos, investigadores e analistas,
publicou hoje o relatório de 2023, que reúne informação à escala global
recolhida em 2022. O relatório
"Intelligence Index" rastreia novos e atuais padrões de ataques
informáticos a partir de milhares de milhões de dados, nomeadamente de
redes de computadores, servidores, computadores pessoais, telemóveis,
respostas a incidentes, bases de dados de vulnerabilidades e de formas
de explorar vulnerabilidades. De acordo
com o documento, o Reino Unido foi em 2022 o país da Europa mais
atingido por ataques informáticos, com a IBM a responder a 43% dos
casos. Seguiram-se na lista da empresa informática a Alemanha (14%),
Portugal (9%), Itália (8%) e França (7%).Na
Europa, o segundo continente depois da Ásia com mais casos, a equipa da
IBM respondeu também a ataques, mas em menor número, na Noruega,
Dinamarca, Suíça, Áustria, Grécia, Espanha e Sérvia.O
relatório "Intelligence Index" 2023 não detalha informação sobre
Portugal, mas, em declarações à Lusa, o responsável pelos serviços de
cibersegurança da IBM Portugal, Duarte Freitas, disse que "os maiores
impactos" dos ataques no país foram "o roubo e a fuga de informação",
seguindo-se tentativas de extorsão."Apesar
de se terem verificado muitas tentativas de extorsão, a capacidade de
mitigar grande parte das ameaças e a celeridade de resposta a incidentes
aumentaram significativamente de 2021 para 2022", ressalvou.Segundo
Duarte Freitas, o uso de 'backdoors' (ferramentas que permitem entrar
disfarçadamente num sistema) possibilitou "a concretização de diversos
ataques bem-sucedidos", como indisponibilidade de serviço (DOS) e
ataques com 'ransomware' (programa malicioso que bloqueia o computador
ou ficheiros e pastas específicos para exigir um resgate).Na
exploração de 'backdoors', que contribuíram para 18% dos "incidentes
graves" a que a IBM respondeu em Portugal em 2022, os cibercriminosos
tiraram partido de "vulnerabilidades em sistemas de acesso remoto, do
abuso de credenciais de utilizadores e da introdução de outras peças de
'hardware' na rede ou nos sistemas das vítimas".Duarte
Freitas especificou que os ataques informáticos registados pela IBM em
Portugal visaram, na maioria dos casos, escritórios de advogados,
consultoras, empresas de serviços de gestão, de tecnologia, publicidade e
media e, nos restantes casos, a indústria, a banca e os seguros, em que
sistemas (como computadores pessoais, servidores, ativos de rede)
ligados a redes externas (como a internet) estavam mais vulneráveis por
conterem 'software' descontinuado, sem manutenção ou com manutenção
desadequada. De acordo com o responsável,
houve em 2022 "um aumento significativo de ciberataques em Portugal",
mas não foi identificada "uma razão única e objetiva para o aumento
desses ataques"."O que se sabe é que
quando se torna público entre a comunidade dos atacantes que num
determinado país ocorreram ataques bem-sucedidos com características
específicas é natural que a frequência dos mesmos aumente", afirmou à
Lusa Duarte Freitas, que recomenda o investimento em planos de resposta a
incidentes e em planos de segurança faseados e flexíveis, que avaliem
riscos e impactos financeiros, a "utilização de sistemas de múltipla
autenticação forte", a "monitorização e análise permanente dos sistemas
de deteção e resposta" e o investimento "em soluções de gestão de
acessos privilegiados".Segundo o relatório
da "gigante" informática norte-americana, a Europa assistiu a partir de
março de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a um "aumento
significativo" do uso de 'backdoors' que contribuíram para 21% dos
ataques detetados pela IBM no continente.A IBM realça ainda, na Europa, ataques com 'ransomware' em 11% das situações verificadas.Quando
avaliado o impacto sobre os utilizadores ou clientes, o relatório
assinala que 38% dos ataques estiveram ligados a extorsão, 17%
resultaram em roubo de dados e 14% em colheita de credenciais.De
acordo com a IBM, as organizações europeias foram afetadas por abuso de
contas locais válidas em 18% dos casos e por 'spear phishing links'
(ataques de 'phishing' contra um alvo específico, como uma empresa,
através do envio de correio eletrónico não solicitado com 'links') em
14% das situações.Finanças, seguros, indústria, energia e saúde foram os setores mais atacados por cibercriminosos na Europa.À
escala global, a IBM refere que o efeito mais comum obtido pelos
cibercriminosos foi a extorsão, através de ataques com 'ransomware' e
'e-mails' comerciais comprometidos.O uso de 'backdoors' emergiu em 2022 como a "ação de topo" dos cibercriminosos devido em parte ao seu elevado valor de mercado.A
IBM salienta, em comunicado, que a prevenção e a deteção de ataques com
'ransomware' estão a ser mais bem-sucedidas, apesar de os ataques com
estes programas maliciosos serem mais rápidos - o tempo médio para
concluir um ataque com 'ransomware' passou de dois meses para menos de
quatro dias.A companhia informática
registou ainda, em 2022, a duplicação (face a 2021) das tentativas
mensais de 'thread hijacking' (sequestro de tópicos em conversas por
'email'). O 'phishing' (envio de 'emails'
não solicitados com o propósito de induzir o utilizador a fornecer dados
pessoais e/ou financeiros) continuou a ser o tipo de ataque informático
mais comum detetado pela IBM à escala mundial.Segundo
a IBM, os cibercriminosos estão a priorizar nas ferramentas para fazer
'phishing' informações de identificação pessoal, como nomes, 'emails' e
endereços de casa - que "podem ser vendidos por um preço mais alto na
'dark web' [internet ilegítima] ou ser usados para realizar outras
operações" - em detrimento de informações de cartões de crédito.A
empresa verificou também que a invasão da Ucrânia pela Rússia (em 24 de
fevereiro de 2022) levou a "uma maior cooperação" entre gangues de
cibercriminosos visando organizações ucranianas e "provocou um aumento
significativo global de ciberataques". O
"Intelligence Index" é uma publicação anual da IBM Security X-Force
Threat. Através da filial IBM Security, a multinacional informática
fornece soluções de segurança cibernética para empresas, governos e
organizações.Diariamente, a companhia monitoriza milhares de milhões de dados em mais de 130 países.