Portugal foi o 'porto seguro' para os treinos do Brasil devido à pandemia
Tóquio2020
7 de dez. de 2020, 13:17
— Lusa/AO Online
Ao
todo foram 215 atletas de 18 modalidades que prepararam em solo luso os
Jogos Olímpicos Tóquio2020, adiados para 2021 devido à pandemia de
covid-19, para contornar as restrições existentes no Brasil, um dos
países mais afetados pelo novo coronavírus.“A
Missão Europa significou para o COB dar uma estrutura de treino segura
para os nossos atletas, em cenário de pandemia. O balanço foi
extremamente positivo e o ‘feedback’ que recebemos dos atletas foi muito
bom, eles ficaram muito satisfeitos com a forma como foram recebidos
nas bases em Portugal, pelo que temos a certeza que foi uma missão
coberta de êxito”, explicou à Lusa Marco La Porta, o Chefe de Missão do
Brasil a Tóquio2020.Rio Maior, que acolheu
atletas de natação, atletismo, triatlo, râguebi e pentatlo moderno, foi
o epicentro da Missão Europa, que se alargou também a Coimbra (judo),
Cascais (vela), Sangalhos (ginástica artística e rítmica e BMX) e Vila
Nova de Gaia (ténis de mesa).“A escolha de
Portugal como base para a Missão Europa deveu-se a vários fatores, o
primeiro foi a facilidade que encontrámos junto do Comité Olímpico de
Portugal para nos ajudar a abrir as fronteiras, para que os nossos
atletas pudessem exercer as suas atividades profissionais. Além disso,
já temos uma relação de longa data com o centro de estágios de Rio Maior
e com algumas das outras bases, tendo facilitado também a questão do
idioma”, frisou Marco La Porta.O
responsável do COB admitiu reeditar a ação de estágio massivo caso o
impacto da pandemia dificulte a preparação dos atletas brasileiros,
tendo em vista os Jogos Olímpicos Tóquio2020, que vão ser disputados
entre 23 de julho e 08 de agosto de 2021.“O
cenário ainda é incerto. Há a questão da vacina, mas não sabemos como
vai avançar a pandemia. Se o cenário de hoje persistir, devemos retomar a
Missão Europa no próximo ano. Vai depender muito de como vão ficar as
condições no Brasil, as condições de treino para os nossos atletas, e,
se não tivermos condições para trabalhar adequadamente, sem risco para a
saúde dos atletas, devemos retomar a Missão Europa”, salientou.Em
declarações à Lusa, La Porta admitiu que esta ação poderia ter ocorrido
noutro local, mas enalteceu as vantagens oferecidas por Portugal:
“Apresentou as condições mais seguras, com melhor custo-benefício, e,
então, não pensámos em ir para outro país”.Todos
os elementos da estrutura da Missão Europa foram testados à covid-19
antes do embarque no Brasil, cerca de 72 horas antes, e, novamente, à
chegada a Portugal, onde também realizaram testes serológicos,
permanecendo em isolamento até ao conhecimento dos resultados, num
protocolo sanitário que La Porta considerou adequado.“Nós
tivemos muito poucos casos com testes positivos à covid-19 durante esse
período, foram cinco, em mais de 300 pessoas. O saldo é positivo,
porque nenhum dos atletas teve qualquer caso grave, pelo que facilitou a
concretização do protocolo, com o teste à saída do Brasil, outro à
chegada, permanecendo em isolamento até ao resultado. Isso funcionou e
não colocou em risco a delegação”, recordou.Após
os estágios em Portugal, os atletas brasileiros retomaram os treinos ou
as competições, tendo sido esse o propósito da Missão Europa, segundo o
Chefe da Missão brasileira.“Todo o nosso
plano foi feito de forma a que o atleta que fosse para Portugal tivesse
um programa posterior. Nenhuma equipa ou atletas esteve na missão sem
ter uma competição na Europa, no Brasil, quando regressasse, ou tivesse
condições de treino adequadas. Todos os que passaram pela Missão Europa
estão, agora, a treinar normalmente”, rematou.O
Brasil vai defender em Tóquio2020 sete títulos olímpicos conquistados
em ‘casa’, pela judoca Rafaela Silva (-57 kg), pelo saltador com vara
Thiago Braz da Silva, pelo pugilista Robson Conceição (peso ligeiro, -60
kg), pelas equipas masculina de voleibol, voleibol de praia (Alison
Cerutti e Bruno Schmidt) e futebol e pelas velejadoras Martine Grael e
Kahena Kunze (49er FX). No Rio2016, o
Brasil foi o 13.º país do medalheiro, com um total de 19 metais,
amealhando seis pratas e outros tantos bronzes, a juntar aos sete ouros.