Portugal foi o país da OCDE que mais melhorou desempenho dos alunos imigrantes em 10 anos

17 de dez. de 2017, 20:23 — Lusa/AO online

Vários estudos apontam que, de forma geral, os imigrantes tendem a apresentar maiores dificuldades em obter bons resultados escolares, quando comparados com os nacionais dos países de acolhimento.“Não sendo Portugal exceção neste domínio nota-se, porém, nos últimos anos uma evolução positiva no desempenho escolar dos estrangeiros matriculados, diminuindo a distância entre alunos estrangeiros e alunos nacionais”, referem as conclusões do Relatório Indicadores de Integração de Imigrantes 2017, do Observatório das Migrações.Os dados mostram uma melhoria do desempenho escolar dos alunos estrangeiros do ensino básico e secundário entre o início da década e o ano letivo de 2013/2014.Esta tendência manteve-se nos dois anos letivos seguintes, nos quais os estrangeiros melhoraram a sua taxa de transição em dois pontos percentuais, ligeiramente mais que os portugueses que melhoraram em 1,6 pontos percentuais.Os dados, a que a agência Lusa teve acesso, observam ainda um aumento de 72% no número de alunos estrangeiros inscritos no ensino superior português.No ano letivo 2015/16, cerca de 10,5% do total de estudantes inscritos no ensino superior eram estrangeiros (cerca de 37 mil), mantendo-se a tendência de crescimento verificada na década passada do número de alunos estrangeiros.Mantém-se igualmente a tendência de crescimento do número de reconhecimentos e registos de graus académicos superiores adquiridos no estrangeiro, com uma subida de 252% entre 2002 e 2015, passando de 658 para 2.315.O relatório lembra que “a compreensão da língua do país de acolhimento é um requisito fundamental no processo de integração de imigrantes, tendo por isso aumentado a oferta de programas de aprendizagem da língua de acolhimento na generalidade dos Estados-membros da União Europeia”.“Portugal não está claramente entre os Estados-membros que desenvolve medidas de ensino da língua como um requisito obrigatório à entrada no país ou à integração dos imigrantes no país”, sendo que os programas que promove para a aprendizagem da língua portuguesa como forma de integração são voluntários e disponibilizados em território português.O relatório, que reúne dados estatísticos e administrativos de 42 fontes nacionais e internacionais, tendo como anos de referência 2015 e 2016, é divulgado nas Jornadas do Observatório das Migrações na segunda-feira, Dia Internacional das Migrações.