Portugal foi 5.º país da UE com mais receitas de turistas estrangeiros em 2024
Hoje 11:47
— Lusa/AO Online
Segundo uma
análise divulgada hoje pelo Banco de Portugal (BdP) sobre o impacto do
turismo na balança de pagamentos portuguesa, se relacionadas as receitas
externas do turismo com o Produto Interno Bruto (PIB), Portugal sobe
para quarto lugar entre os países da União Europeia (UE) em que o
turismo internacional tem maior peso na economia, apenas superado pela
Croácia, Malta e Chipre.Da análise resulta
ainda que Portugal foi o país da UE que, entre 2010 e 2024, registou o
maior aumento das exportações de turismo (receitas da rubrica de viagens
e turismo geradas por turistas não residentes) em percentagem do PIB,
de cinco pontos percentuais.O Reino Unido,
França, Alemanha e Espanha são tradicionalmente os principais mercados
de origem das receitas do turismo internacional português, mas, em 2026,
os EUA entraram para este grupo e, em 2024, ultrapassaram mesmo a
Espanha, passando a ocupar o quarto lugar. Neste
período, o peso dos turistas norte-americanos nas exportações de
turismo aumentou de menos de 4% para mais de 10%, precisa o BdP.De
registar ainda um crescimento das receitas provenientes do conjunto de
mercados menos relevantes, que passaram de 29% para 33%, “reforçando a
tendência de maior diversificação na origem das receitas do turismo
internacional”.E se o verão continua a ser
o período com maiores exportações de turismo, o seu peso relativo tem
vindo a diminuir: Embora entre 2014 e 2024 as exportações de turismo
tenham crescido em todos os meses do ano, verificou-se uma redução na
importância relativa dos meses de verão (junho, julho, agosto e
setembro). Em 2014 estes quatro meses
representavam 49% do total do ano, percentagem que recuou para 47% em
2024, com a maior queda a ocorrer em agosto, cujo peso desceu de 18%
para 15%.Numa análise retrospetiva, o BdP
destaca que o turismo de não residentes “tem desempenhado um papel
relevante na economia portuguesa, marcado por vários momentos decisivos
desde a década de 1960”.Assim, nos anos 60
as receitas de viagens e turismo “cresceram de forma expressiva, num
contexto de desenvolvimento económico e maior estabilidade
internacional”, e impulsionadas pelo progresso nos transportes, melhoria
das infraestruturas turísticas e aumento do nível de vida. Nesse
período, as exportações de turismo atingiram 6% do PIB.Em
1974, a instabilidade política provocou “um recuo significativo” da
atividade turística, mas durante a década seguinte o setor recuperou
para níveis próximos dos registados nos anos 60, “impulsionado pela
massificação do turismo balnear”.Durante
as décadas de 1990 e 2000, o BdP relata uma redução das exportações de
turismo, “refletindo a crescente concorrência de destinos alternativos
mais competitivos”, tendo esta rubrica estabilizado nos 4% do PIB nesse
período.Já a partir de 2010 estas receitas
retomaram um crescimento acentuado, apenas interrompido pela pandemia
de covid-19, tendo mais do que duplicado de 4,2% do PIB em 2010 para
9,6% em 2024.Em contrapartida, as despesas
de turistas portugueses no estrangeiro “têm-se mantido historicamente
mais baixas”, situando-se perto de 2% do PIB nas décadas de 1960 e 1990 e
tendo ultrapassado esse valor apenas nos anos mais recentes, atingindo
2,4% em 2024.“Assim – destaca o BdP - a
evolução do saldo do turismo na balança de pagamentos portuguesa tem
resultado sobretudo do forte desempenho das receitas geradas pelo setor
em Portugal, que cresceram de forma mais acentuada do que as despesas
dos turistas portugueses no exterior”.No
período mais recente, o saldo da rubrica de viagens e turismo conduziu a
um saldo positivo da balança comercial portuguesa (diferença entre
exportações e importações de bens e serviços), com a balança comercial a
registar em 2012 o seu primeiro valor positivo desde o início da série
estatística, numa trajetória que se manteve até ser temporariamente
interrompida pela pandemia.Neste contexto,
o BdP salienta que o saldo positivo da balança comercial “tem sido
determinante” para o retorno a saldos positivos nas balanças corrente e
de capital portuguesa, algo que não se verificava desde 1993, indicando
estes saldos que Portugal tem registado capacidade líquida de financiar o
exterior.