24 de nov. de 2022, 18:04
— Marco Oliva/Lusa/AO Online
Cristiano Ronaldo
adiantou a seleção portuguesa de penálti, aos 65 minutos, tornando-se no
primeiro futebolista a marcar em cinco mundiais, só que o experiente
André Ayew repôs a igualdade, aos 73, antes de João Félix, aos 78, e
Rafael Leão, aos 80, praticamente consumarem a vitória lusa.Contudo,
Bukari, aos 89 minutos, devolveu a esperança aos ganeses, que quase
chegaram ao empate nos derradeiros momentos do encontro, mas Iñaki
Williams foi incapaz de aproveitar uma distração nada comum em Diogo
Costa e viu ‘fugir’ uma oportunidade de ‘ouro’.Portugal,
que volta a entrar em campo na segunda-feira, frente ao Uruguai,
alcançou, assim, a vitória na estreia no Campeonato do Mundo, algo que
não acontecia desde 2006, quando um golo do ‘açor’ Pauleta ‘derrotou’
Angola (1-0), no arranque do Mundial da Alemanha.A
formação comandada por Fernando Santos lidera o Grupo H, com três
pontos, à frente de Coreia do Sul, treinada por Paulo Bento, e Uruguai,
ambos com um ponto, depois do ‘nulo’ que registaram hoje. O Gana é
último da ‘poule’, sem pontos.As dúvidas
que poderiam persistir sobre a condição ideal de Pepe para a estreia
ficaram dissipadas quando se soube que Rúben Dias teria como companheiro
de eixo defensivo Danilo, o mesmo sucedendo do lado esquerdo, tendo em
conta que Nuno Mendes nem foi ao banco de suplentes e permitiu a
titularidade de Raphaël Guerreiro.No
resto, Fernando Santos fez o que era expetável, juntando João Félix a
Bruno Fernandes (50.º jogo pela seleção) e Bernardo Silva no apoio a
Cristiano Ronaldo, enquanto Otávio e Rúben Neves protegiam as ‘costas’
do quarteto ofensivo e ajudavam a ‘libertar’ os laterais Cancelo e
Guerreiro.Na verdade, eram mesmo esses os
únicos jogadores que tentaram o jogo exterior, numa equipa repleta de
médios e avançados que procuram ter a bola no pé e que ‘afunilam’
qualquer estratégia. No entanto, se Cancelo gosta de explorar a linha,
Guerreiro é um lateral mais de toque e sem a ‘explosão’ de Nuno Mendes.Apesar
da enorme oportunidade que Otávio ofereceu a Cristiano Ronaldo, o
capitão demonstrou estar algo preso de movimentos e a receção – outrora
decisiva nos mais de 700 golos que tem na carreira – apenas contribuiu
para a saída eficaz do guarda-redes ganês.Ronaldo
voltaria a tentar, sem sucesso, de cabeça, e Félix estava sem pontaria
para alvejar a baliza de Ati, sendo cada vez mais notória a incapacidade
lusa para ‘furar’ o bloco ganês, fosse em triangulações, fosse em
lances de 1x1.Fernando Santos tinha
prometido, na véspera, uma equipa muito dinâmica, mas nada disso se viu
no relvado do Estádio 974. Foi, aliás, o oposto: uma formação sem sequer
um ‘fogacho’ de criatividade ou capacidade desequilibradora, muito
lenta nas ações, o que a levou a insistir inúmeras vezes em cruzamentos
de três quartos do campo.Tão conhecida
pelos inúmeros extremos de valor que foi formando, a ‘escola’ portuguesa
apresentou-se no Qatar sem qualquer jogador verdadeiramente de linha e
isso fez-se notar neste jogo.Quando o
rapidíssimo Kudus ‘desbravou’ caminho no segundo tempo e ficou a
centímetros de inaugurar o marcador, ‘ecoaram’ alertas por toda a equipa
lusa, que acabaria por ser tranquilizada com uma grande penalidade
assinalada pelo árbitro Ismail Elfath.Ronaldo
foi derrubado por Salisu dentro da grande área e ele próprio rematou
com sucesso da marca dos 11 metros, adiantando a seleção nacional, só
que o Gana tem uma ‘pérola’ em ‘mãos’, Mohammed Kudus. O jogador do Ajax
ameaçou Diogo Costa, primeiro, e logo de seguida fugiu a Cancelo para
oferecer o empate a André Ayew.Foi
precisamente a partir deste momento que Portugal ‘despertou’ e se lançou
para um triunfo que parecia estar a escapar-se, tudo graças à visão,
capacidade de passe e inteligência de Bruno Fernandes em dois lances
separados por dois minutos.João Félix
aproveitou a ‘oferta’ do médio e não perdoou no ‘cara a cara’ com Ati,
tal como Rafael Leão, que, lançado três minutos antes, finalizou com
enorme ‘classe’ e assegurou uma vantagem confortável para a equipa das
‘quinas’.Quando parecia que o encontro
estava decidido, os ganeses ainda foram buscar forças para relançar os
minutos finais, beneficiando também da noite desastrosa de João Cancelo,
que, depois de ter sido ultrapassado no primeiro golo, voltou a
facilitar e permitiu que a bola fosse cruzada para o cabeceamento
certeiro de Bukari.O ‘susto’ esteve perto
de se tornar em ‘pesadelo’ no derradeiro lance da partida, numa
distração quase cómica de Diogo Costa: o guarda-redes não reparou que
Iñaki Williams estava nas suas costas, colocou a bola no chão e foi
surpreendido pelo avançado, que só não fez o empate porque acabou por
escorregar.