'Portugal está em condições de antecipar neutralidade carbónica para 2045'
COP27
7 de nov. de 2022, 13:02
— LUSA/AO Online
António
Costa transmitiu esta posição no primeiro dos seus dois dias de
presença na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas
(COP27), que decorrerá em Sharm el-Sheikh, no Egito, até ao próximo dia
18.O primeiro-ministro, cujo discurso de
fundo perante a COP27 está agendado para terça-feira, ao fim da manhã,
antecipou que vai não apenas reafirmar as metas ambientais assumidas
pelo país em 2016, em Marraquexe, como também se prepara para “anunciar
as novas metas”, as quais Portugal que resultaram da Lei do Clima
aprovada na Assembleia da República.“O
objetivo não é somente alcançarmos a neutralidade carbónica em 2050 – e
fomos o primeiro país do mundo a assumir essa meta na COP de Marraquexe
[em 2016] -, mas também, como está previsto na lei, estudar e fazermos
tudo para antecipar para 2045 esse resultado”, declarou.De
acordo com o líder do executivo português, o país está em condições de
assumir essa nova meta, já que, em primeiro lugar, conseguiu em dois
anos encerrar as suas centrais a carvão”.“O
facto de estarmos a acelerar toda a transição energética e de termos
uma política sustentada de investimento no transporte público urbano e
na ferrovia à escala nacional criam boas condições para que isso
aconteça”, completou, antes de fazer a um terceiro fator em matéria de
transição energética.António Costa apontou
então que Portugal “definiu uma estratégia nacional para o hidrogénio
que vai auxiliar a indústria, até hoje bastante dependente do gás
natural”.“A indústria vai poder ter uma
fonte alternativa de energia. Isso vai ser decisivo para que essa
transição tenha sucesso e para que, a prazo, deixemos de ser
importadores de combustíveis fosseis e possamos ser exportadores de
energia verde”, sustentou.Numa alusão ao
recente acordo com Espanha e França para a existência de “um corredor
verde” ao nível das interconexões de energia na União Europeia, o líder
do executivo disse que, na sequência desse compromisso político, foi
dado “um passo fundamental”.“Todo o
esforço que estamos a fazer é muito importante para que tenhamos sucesso
e possamos antecipar tanto quanto possível” a meta da neutralidade
carbónica, disse.Neste contexto, António
Costa deixou depois uma crítica à forma como globalmente este objetivo
está a ser cumprido por parte de alguns países.“Se
uns não anteciparem, tendo em conta a lentidão com que outros avançam,
mais dificilmente alcançaremos as metas do Acordo de Paris”, de 2015,
acrescentou.Interrogado se o Governo
português está arrependido de encerrar as centrais a carvão, tendo em
conta a atual crise energética agravada pela intervenção militar russa
na Ucrânia, o líder do executivo rejeitou essa perspetiva.“O
que está demonstrado é quanto mais avançarmos para as energias
renováveis menos dependentes estaremos de terceiros. Também menos
dependentes estaremos da volatilidade dos mercados internacionais
relativamente ao gás”, contrapôs.António
Costa sustentou mesmo que, se os preços da energia elétrica em Portugal
estão atualmente comparativamente mais baixos do que na média europeia,
“é porque 60% da energia atualmente consumida tem origem nas
renováveis”.“Por isso, a meta que temos de
chegar ao final da legislatura [2026] com 80% da energia consumida ter
como base as renováveis. A solução ibérica, que evita a excessiva
contaminação do preço da eletricidade pelo preço do gás, funciona bem
porque temos uma elevada taxa de energia que é produzida com base em
fontes renováveis”, defendeu.Pelo
contrário, na perspetiva do primeiro-ministro, os países que possuem uma
taxa muito reduzida de produção de energias renováveis a solução em
vigor para Espanha e Portugal não lhes é aplicada “porque não podem
beneficiar dela”.“Está a acontecer que são
as energias renováveis que suportam o sobrecusto do gás e partilham com
os consumidores esse benefício”, advogou.