Portugal entre os países com maior tempo de permanência nas prisões
Hoje 10:35
— Daniela Arruda
Em Portugal, os reclusos permanecem mais tempo nas cadeias quando
comparado com o resto do contexto europeu. Com base no relatório do
Conselho da Europa, Portugal apresenta um sistema prisional com
permanências muito longas quando face à média europeia.De forma mais
simples, há duas formas de medir esse tempo: uma conta quanto tempo, em
média, uma pessoa passa na prisão desde que entra até sair (inclui
todos os reclusos que entram e saem do sistema, tanto os que aguardam
julgamento como os que já estão condenados); e a outra olha apenas para
quem já foi condenado de forma definitiva. Em ambos os casos, os valores
em Portugal estão acima da média europeia e ajudam a explicar um
sistema que tem pouca rotatividade de reclusos.Na média geral, a que
inclui pessoas em prisão preventiva e condenados, cada recluso fica
cerca de 31,4 meses no sistema prisional, bastante superior à média
europeia de 8,8 meses. E quando se olha apenas para os reclusos com
sentença definida o tempo sobe para 57,2 meses, enquanto a média
europeia é de 21 meses. Isto acontece porque uma grande parte das penas
em Portugal é de longa duração.No total, Portugal tinha 12.360
reclusos a 31 de janeiro de 2025, dos quais cerca de 78% já tinham uma
condenação definitiva. Destes, a maioria cumpre penas superiores a cinco
anos e quase 30% está condenada a mais de 10 anos. Sendo que apenas 3,8
dos reclusos têm uma pena inferior a um ano. O
relatório revela também uma população prisional envelhecida, com uma
idade média de 41,9 anos. Cerca de 25% dos reclusos tem 50 anos ou mais,
o que corresponde a 3.108 pessoas. Este valor é considerado elevado no
contexto europeu, uma vez que a mediana é de 18,2% de reclusos nessa
faixa etária.A maioria da população prisional é do sexo masculino
(92,7%), enquanto as mulheres representam 7,3% do total. O documento
indica ainda que 17,4% dos reclusos são estrangeiros e que o total
inclui também 183 pessoas consideradas inimputáveis, internadas em
hospitais psiquiátricos ou prisionais em 2024.