Portugal entre 80 membros da ONU que exigem proteção de civis em Gaza
Médio Oriente
23 de mai. de 2025, 17:47
— Lusa/AO Online
Num
comunicado divulgado na quinta-feira pela missão da Grécia junto às
Nações Unidas - que preside este mês o Conselho de Segurança da
organização -, os Estados-membros lamentaram as pelo menos 36.000 mortes
de civis registadas pela ONU em 14 conflitos armados no ano passado,
colocando Gaza e o Sudão em especial destaque."Isso
não pode continuar. Trazemos uma mensagem clara: a proteção de civis
não é opcional. É uma obrigação legal prevista no Direito Internacional
Humanitário e um imperativo moral que não podemos negligenciar",
defenderam.Diante do aprofundamento do
conflito e do "desrespeito à vida civil em muitas regiões", as dezenas
de Estados-membros da ONU apelaram a todas as partes em conflito armado
para que respeitem o Direito Internacional Humanitário em todas as
circunstâncias, e instaram os países a usarem a sua influência para
garantir o respeito por todas as partes."Esta é a base — não uma aspiração, mas um compromisso vinculativo, uma obrigação legal", frisa o comunicado.Os
Estados signatários — incluindo Portugal, Espanha, França,
Itália, China, entre outros, mas do qual ficaram de fora países como
Estados Unidos ou Reino Unido — advogaram ainda que a proteção dos civis
não deve ser uma consideração secundária, mas sim central em todo o
planeamento militar e decisões políticas. Também
os atos de violência e ataques contra o pessoal humanitário foram
condenados pelos signatários, que reforçaram: "Isso precisa acabar"."A instrumentalização da ajuda para objetivos políticos, militares ou estratégicos de segurança é inaceitável", sublinharam.Também
a luta contra a impunidade foi defendida no comunicado, com os
Estados-membros a afirmarem que a responsabilização pelas violações,
incluindo os ataques contra jornalistas, é essencial."Vamos
reiterar a nossa responsabilidade coletiva de proteger os mais
vulneráveis, defender o direito internacional, priorizar a segurança, a
dignidade e os direitos dos civis e garantir que os seus rostos e vozes —
muitas vezes invisíveis e silenciados por trás das estatísticas —
permaneçam centrais nas nossas ações", disseram."Vamos comprometer-nos
não apenas com palavras, mas com medidas concretas em direção à
proteção, à responsabilização e, finalmente, à paz", conclui o
comunicado.Face a esta posição coletiva, o
grupo islamita palestiniano Hamas considerou hoje que se trata da
confirmação de uma "ampliação do círculo internacional de rejeição ao
genocídio"."Aplaudimos a declaração
conjunta emitida por 80 países confirmando que a Faixa de Gaza está a
sofrer a pior crise humanitária desde o início da agressão", indicou o
Hamas, antes de pedir aos signatários que exerçam "pressão efetiva" para
garantir a entrega de ajuda a Gaza e "quebrar o cerco brutal" ao
enclave, de acordo com o jornal palestiniano Filastin.Dois milhões de pessoas na Faixa de Gaza enfrentam fome extrema caso não sejam tomadas medidas imediatas, alertou a ONU. A
ajuda humanitária permitida por Israel em Gaza nos últimos dias “nem
sequer chega perto de cobrir a escala e o volume das necessidades dos
2,1 milhões de habitantes de Gaza”, disse, na quinta-feira, o porta-voz
do secretário-geral da ONU (António Guterres), Stéphane Dujarric. Antes
da guerra, entravam no país uma média diária de 500 camiões com
produtos básicos para a população, embora as organizações humanitárias
já considerassem isso insuficiente.