Portugal em 63.º em classificação de países na resposta à pandemia
Covid-19
28 de jan. de 2021, 11:56
— Lusa/AO Online
O
estudo, que coloca a Nova Zelândia em primeiro lugar (com uma 'nota' de
94,4 valores em 100), o Vietname em segundo e Taiwan em terceiro, dá a
Portugal uma avaliação de 38,9 valores, imediatamente abaixo de países
como Canadá e Israel.Depois de Portugal surgem países como Bélgica (35,6), França (34,9), Rússia (32) e Espanha (31,2 valores).Os
Estados Unidos (17,3 valores), Irão (15,9 valores), Colômbia (7,7
valores), México (6,5 valores) e Brasil (4,3 valores) são os países com
piores respostas à pandemia, indicou o mesmo estudo. O estudo não incluiu a China por considerar não ter dados suficientes, de acordo com o instituto. Um
'think thank' sobre temas globais, com destaque para questões de
política externa, defesa, assistência ao desenvolvimento e jornalismo,
entre outros, o instituto Lowy analisou os dados nos 98 países nas 36
semanas seguintes à confirmação do 100.º caso da Covid-19.Os
dados, atualizados até 09 de janeiro, centraram-se em números de casos e
mortes confirmadas, tanto em valores absolutos como por milhão de
habitantes, o número de testes e o número de casos confirmados por
testes realizados.Uma elevada taxa de
mortalidade quando comparada com o número de testes realizados, por
exemplo, foi ponderada negativamente para o estudo.Foi depois calculada uma média destes indicadores e transformada numa 'nota' de zero a 100 valores.Os
dados mostraram importantes variações regionais, com Ásia e Pacífico a
ser a zona do globo que quase sempre respondeu melhor à pandemia. A
Europa registou inicialmente progressos significativos, mas no final do
período em análise foi a região com pior desempenho.Noutro
âmbito, o estudo mostrou que países com regimes totalitários tiveram
uma melhor resposta à pandemia na fase inicial, mas o desempenho caiu
pouco tempo depois, com democracias e regimes autoritários a convergir
na fase final da análise.Os autores do
estudo olharam para várias características dos países para ver se
aspetos como o tamanho da população ou o desenvolvimento económico
tiveram impacto na resposta à pandemia.“No
início da pandemia, houve pouca diferença percetível no desempenho do
país independentemente do tamanho da população. No entanto, as
experiências entre populações grandes, médias e pequenas divergiram
acentuadamente menos de um mês depois do 100.º caso”, referiu.Países
mais pequenos, com populações de menos de dez milhões de pessoas,
“superaram consistentemente os congéneres maiores” ao longo do ano,
ainda que essa diferença se tenha desacentuado na reta final do período
estudado.No que toca à capacidade
económica, o estudo considerou não ser “de estranhar que os países com
rendimentos 'per capita' mais elevados disponham de mais recursos para
combater a pandemia”, tendo por isso, em média, um desempenho melhor que
os em desenvolvimento.“Mas surpreende que
muitos países em desenvolvimento tenham conseguido lidar com o surto
inicial da pandemia e que as economias avançadas, no seu conjunto,
tenham perdido a liderança até ao final de 2020, com infeções a
reaparecerem em muitos locais que tinham alcançado um sucesso aparente
na supressão das primeiras vagas da pandemia”, indicou.Os
países ricos, devido ao impacto das viagens internacionais na
transmissão do vírus, acabaram rapidamente “sobrecarregados”, enquanto
os em desenvolvimento “tiveram mais tempo de vantagem, e muitas vezes um
maior sentido de urgência, para implementar medidas preventivas após a
dimensão e a gravidade da crise global terem sido conhecidas”.Medidas
de 'baixa tecnologia' como 'lockdowns' (confinamentos), notou o estudo,
“podem ter criado condições de igualdade entre os países desenvolvidos e
os países em desenvolvimento na gestão da covid-19”.Agora,
porém, já no processo de vacinação, os autores sublinharam que os
países mais ricos podem ter “uma vantagem decisiva nos esforços de
recuperação de crises, deixando os países mais pobres a lutarem contra a
pandemia por mais tempo”.