Portugal em 11.º lugar no ranking de impostos sobre empresas na Europa
6 de out. de 2020, 08:50
— Lusa/AO Online
O trabalho, realizado pelas consultoras EY e
Sérvulo para a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a partir de
um cálculo do peso da carga fiscal das empresas considerando os impostos
pagos sobre o volume de negócios, mostra que “em 2017, Portugal ocupava
a 11.ª posição entre os Estados-Membros da EU 27, representando os
impostos 20% do volume de negócios das empresas. Em
2008, Portugal ocupava a 16.ª posição tendo entretanto subido no
ranking, apresentando a 5.ª maior subida, adiantou a CIP, num
comunicado.De acordo com a CIP, “entre
2008 e 2017, apenas oito países registaram subidas neste indicador,
tendo-se, na verdade, registado uma redução da carga fiscal nos
restantes 19 países”, lê-se na mesma nota.“A
estas conclusões, cabe acrescentar que, embora a tributação clássica
(IRC, IRS, IVA, IMI e IMT) continue a constituir a principal origem de
receita fiscal, verifica-se uma progressiva deslocação da tributação
tradicional para um modelo tributário assente numa multiplicidade de
figuras tributárias, nomeadamente, taxas e contribuições”, indicou a
CIP.A organização recordou que o “sistema
fiscal tem vindo a focar-se em determinados setores de atividade
económica que se presume serem dotados de maior capacidade tributária
quando comparado com outros”, apontando a contribuição sobre o setor
bancário como “a primeira das contribuições de âmbito setorial a surgir
no ordenamento jurídico português e que deu o mote a figuras semelhantes
que se seguiram”.Segundo o estudo, “foi
possível concluir pela cobrança total de mais de 4.300 taxas, das quais
2.900 se revelam da competência das entidades analisadas no âmbito da
Administração Central do Estado e 600, unicamente, da competência da
Agência Portuguesa do Ambiente, I.P., o que reflete a dimensão da
realidade em causa”.O estudo encontrou
“diversas dificuldades” no “processo de recolha de informação” como “a
falta de transparência sobre as taxas cobradas, a dificuldade para
identificação da base legal aplicável (não sendo, por vezes, possível a
sua determinação), a falta de uniformização e consequente dispersão e
incompletude da informação, a complexidade da estrutura de cobrança e
alocação de receita das taxas, a competência cumulativa de diversas
entidades sobre diferentes aspetos de uma mesma taxa, e, inclusivamente,
tornou-se evidente o desconhecimento, por parte de algumas entidades,
de parte das taxas cobradas por si próprias”, indicou a CIP.De
acordo com o documento, verifica-se uma redução no peso da receita de
IRC em função do PIB (Produto Interno Bruto) que é, “no entanto, a
tendência verificada na maioria dos países, tendo o rácio subido em
apenas 7 dos 27 países da UE. De entre os países que registaram um
decréscimo no indicador, Portugal foi o 3.º com menos nível de descida”,
concluiu o estudo.Segundo os dados
compilados pelos autores, em 2018 “Portugal apresentou receita referente
a impostos sobre o rendimento das empresas correspondente a 3,3% do
PIB, peso que decresceu em 0,2 pp [pontos percentuais] entre 2007 e
2018”. No mesmo ano, a receita fiscal foi na ordem dos 37,1% do PIB,
sendo que entre 2007 e 2018, verificou-se uma subida de 2,1 pp neste
rácio. O IVA registou de subida de 8,2% em 2007 para 8,7% em 2018.