Portugal e Timor-Leste trabalham em conjunto para criar condições para timorenses
31 de out. de 2022, 17:51
— Lusa/AO Online
Marcelo
Rebelo de Sousa falava numa conferência de imprensa conjunta com o seu
homólogo timorense, José Ramos-Horta, que hoje recebeu no Palácio de
Belém, em Lisboa, durante a sua visita de Estado a Portugal."Nós
temos agido em conjunto, as autoridades dos dois países, desde que este
fenómeno ganhou a dimensão que ganhou, a partir de agosto, setembro.
Tem havido atuações a vários níveis", declarou o chefe de Estado
português.As autoridades dos dois países
estão a atuar para detetar "estruturas ilícitas ou ilegais de
exploração, de tráfico, de mão-de-obra" e em Portugal "entraram no
Ministério Público vários processos" e tem havido "intervenções de
inspeção laboral, nas empresas, isto é, nos contratadores finais, para
apurar da precariedade ou não do trabalho, das condições de pagamento",
referiu."Estamos de acordo os dois quanto a
que é intolerável aquilo que se passa e se venha a passar à margem da
lei. Portanto, deve ser fiscalizado, deve ser objeto de intervenção não
apenas administrativa mas do foro judicial", defendeu Marcelo Rebelo de
Sousa.O chefe de Estado português adiantou
que "há elementos qualidades do SEF que se encontram já em Timor-Leste
precisamente a ajudar nisso: garantir que há, por força mesma de quadro
legal adequado a isso, a deteção e a prevenção de sistemas ilícitos e
ilegais, travando-os à partida".Segundo
Marcelo Rebelo de Sousa, "estão localizados a esta data 873 timorenses"
em Portugal, "dos quais a maioria esmagadora em condições – mais de 500 –
de habitabilidade ou de acolhimento ou de albergue ou de apoio de
instituições muito variadas", Estado, autarquias locais e instituições
de solidariedade social.Até agora "foi
possível encontrar empregabilidade para cerca de duas centenas" e
prevê-se que haja no total cerca de "1300 cidadãos timorenses" em
Portugal, tendo em conta os dados que indicam, "desde janeiro, 5514
entradas e 4141 saídas" do país, indicou o Presidente português.Ressalvando
que há isenção de visto durante 90 dias e que as pessoas "são livres de
circular, de entrar, de serem acolhidas e de sair", acrescentou:
"Portugal, através deste conjunto de entidades, está a atuar todos os
dias para poder criar condições de permanência que não na rua".O
Presidente da República disse ainda que Portugal e Timor-Leste estão a
atuar "em termos de formação no português básico e de formação
técnico-profissional" e de "ajustamento das aptidões à empregabilidade
social"."É uma ação que está a ser
desenvolvida com uma colaboração das embaixadas em Lisboa e em Díli, mas
sobretudo com um papel importante das autoridades dos dois países, a
todos os níveis: chefes de Estado e governos, para além de outras
entidades", acrescentou.O objetivo é que
na mobilidade entre os dois países haja "uma saída e uma entrada que
estejam muito ligadas à ideia de liberdade de movimentos, sim, com
condições claras de empregabilidade".Marcelo
Rebelo de Sousa assumiu que este é um tema atualmente "presente nas
relações dos dois países" e que foi abordado no seu encontro de hoje com
o Presidente da República de Timor-Leste.Perante
os jornalistas, após esse encontro, o chefe de Estado português elogiou
Ramos-Horta pelo "seu exemplo na luta que teve, e que mereceu o Prémio
Nobel da Paz, pela democracia, pela liberdade, pelos direitos humanos,
pela independência, pela soberania e pelo futuro do povo irmão de
Timor-Leste"."É para nós muito
reconfortante ver a forma pacífica e pacificadora e estabilizadora como
tem exercido as suas funções", acrescentou, felicitando-o "pelo arranque
deste seu novo mandato, muito promissor".Questionado
uma vez mais sobre as notícias de alegados abusos sexuais de menores
por parte do bispo timorense Ximenes Belo, Marcelo Rebelo de Sousa
voltou a dizer que foi surpreendido pelos "dados que vieram a lume"."Fui
surpreendido, para mim era uma realidade inexistente, porque
desconhecia, portanto, dela não tinha a mínima noção", declarou.