Portugal é "porta de trânsito" de grandes quantidades de cocaína vinda da América Latina
26 de nov. de 2019, 14:33
— Lusa/AO Online
Artur
Vaz falava aos jornalistas à margem da sessão de abertura do Seminário
sobre Tráfico de Estupefacientes Transfronteiriços – Projeto Caravela,
que decorre na sede da Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa, com a
presença da Procuradora-geral da República, Lucília Gago, do diretor
nacional da PJ, Luís Neves, e do diretor do departamento de combate à
droga da Polícia Federal do Brasil, Elvis Secco, entre outros.Segundo
Artur Vaz, Portugal, em virtude da posição geográfica e da existência
de "especiais relações" com países da América Latina, designadamente o
Brasil, leva a que as organizações criminosas internacionais "parasitem
muitas das estruturas de transporte" de grandes quantidades de cocaína
entre os dois continentes através das fronteiras marítima e aérea
portuguesas.Confrontado com o facto de o
Brasil ser um importante ponto de passagem de muita da cocaína que
transita por Portugal, para chegar a outros países europeus, Elvis Secco
observou que o Brasil tem mais de 16 mil quilómetros de fronteira com
os três países produtores de cocaína - Bolívia, Peru e Colômbia -,
fazendo ainda fronteira com o Paraguai, que é hoje o principal produtor
de marijuana/maconha."A nossa realidade é
muito complicada. Há quantidades absurdas de cocaína produzida nesses
países. Estamos a falar de milhares de toneladas. Grande parte, 50% a
60%, passa por território brasileiro" com destino à Europa e à África do
Sul.O diretor da Polícia Federal
brasileira referiu que a cocaína encaminhada por via marítima para a
Europa e para a África do Sul traz lucros enormes às organizações
criminosas, em resultado da diferença "absurda" de preço entre um
quilograma de cocaína num país produtor e num país da Europa.Para
o diretor nacional da PJ, Luís Neves, o tráfico de droga (nomeadamente
cocaína) e subsequente consumo é "preocupante a vários níveis", não só
enquanto atividade criminosa, mas também "preocupante pelos lucros que
gera" e pela forma como "distorce a economia" e fomenta e facilita
outros crimes, incluindo o branqueamento de capitais e a corrupção do
aparelho e estruturas do Estado.Por outro
lado - salientou - o tráfico e consumo de cocaína e de outras drogas
cria um "problema de saúde pública", ao mesmo tempo que "consome aos
Estados parte substancial dos seus orçamentos".A
utilização dos lucros do narcotráfico no apoio financeiro e logístico
do terrorismo foi outro dos aspetos referidos pelo diretor nacional da
PJ.Luís Neves apontou o oceano Atlântico e
África como zonas privilegiadas de transporte e trânsito da cocaína
traficada pelos grandes narcotraficantes e assinalou a importância da
cooperação policial direta com o Brasil e com outras instâncias
internacionais (Europol, Interpol, MAOC) num combate que tem que ser
feito de "forma global".Na sua intervenção
na cerimónia, Lucília Gago, vincou que o `modus operandi" do
narcotráfico internacional obriga a que "existam uma partilha de
informações entre os países envolvidos" de forma "precoce, rápida,
oportuna e eficaz", apontando ainda para o perigo do tráfico de droga
poder financiar o terrorismo.O seminário
realiza-se numa altura em que as polícias de Portugal e de Espanha
fizeram recentemente importantes apreensões de cocaína em solo português
e em águas da Galiza, respetivamente.A
uma milha ao largo do porto de Aldán, Galiza, as autoridades espanholas
estavam hoje de manhã a retirar 3.000 quilogramas de cocaína a bordo de
um submarino.