Portugal é o terceiro país da UE com menos emissões de gases com efeito de estufa
6 de jun. de 2025, 11:40
— Lusa/AO Online
De acordo com os dados
divulgados pela Pordata – a base de dados da Fundação Francisco Manuel
dos Santos – para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, o valor ‘per
capita’ das emissões de gases com efeito de estufa atingiu as cinco
toneladas de CO2 em 2023.Atrás apenas de
Malta (com 4,1 toneladas) e da Suécia (4,2 toneladas), Portugal foi o
terceiro país com menos emissões de gases com efeitos de estufa.O
relatório da Pordata destaca também a “redução significativa”, para
quase metade, nas emissões dos carros registados em Portugal, de 169 kg
por quilómetro em 2000 para 90g por quilómetro em 2023.A
tendência é comum na maioria dos 27 estados-membros da UE, com Portugal
em 6.º lugar, atrás da Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Suécia e
Finlândia.Apesar da evolução positiva em
relação às emissões de gases com efeito de estufa, o relatório aponta,
por outro lado, os níveis elevados de emissões de partículas finas pela
indústria.Em 2022, ano a que se referem os
dados mais recentes, Portugal emitiu 2,24 gramas de partículas finas
por cada euro de riqueza gerada pela indústria, sendo as principais
responsáveis as indústrias química e do papel.“O
total de partículas finas emitidas para a atmosfera não consegue ser
compensado pela riqueza gerada pela indústria”, refere o relatório.Em
relação a esse indicador, Portugal surge no fundo da lista, com valores
quase 100 vezes superiores aos da Alemanha, que surge em quarto lugar.Também
pela negativa, a Pordata refere o aumento dos resíduos urbanos, que
duplicaram desde 1995, tendo sido contabilizados 5,6 milhões de
toneladas em 2023, uma média de 1,4 quilos por habitante.Além
de ser um dos países com maior valor ‘per capita’ na produção de
resíduos municipais no contexto da UE, Portugal está também entre os que
conduz para aterro uma maior proporção de resíduos.Esse
é o destino de 54% dos resíduos produzidos, sendo que apenas 17% são
alvo de valorização orgânica, 17% de valorização energética e 12%
valorização multimaterial.No retrato a
propósito do Dia Mundial do Ambiente, os dados da Pordata confirmam o
“claro padrão de aquecimento” da temperatura do ar desde 2000, com base
nos registos das estações meteorológicas de Bragança, Castelo Branco,
Lisboa, Beja e Funchal.O maior aumento da
temperatura máxima foi registado pela estação meteorológica de Bragança,
com perto de 3ºC de diferença face a 1960, de 17,2ºC para 20,1ºC.No
Funchal, as temperaturas médias e mínimas registaram diferenças
superiores a 2ºC no mesmo período, de 18,6ºC para 21,0ºC e de 15,5ºC
para 18,1ºC, respetivamente.Em relação à
configuração e proteção do território, Portugal é dos países da UE que
tem mais terreno ocupado por arbustos (17,5%) e dos que tem menos
terreno para produção agrícola (16,3%).Apenas
22,4% da superfície é classificada como área protegida, sendo o 12.º
país da UE com menor percentagem de área terrestre protegida, mas
Portugal destaca-se pela positiva na proteção da área marinha e poderá
tornar-se, ainda este ano, o país com maior extensão de áreas marítimas
protegidas.Com as novas áreas do Parque
Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado e da Revisão do
Parque Marinho dos Açores, que entra em vigor em setembro, as áreas
marítimas protegidas ultrapassarão os 200 mil quilómetros quadrados,
cerca de 19% do mar.No que diz respeito às
praias portuguesas, a esmagadora maioria das praias costeiras tem água
com excelente qualidade, mas apenas 67% das praias fluviais e lacustres
cumprem esse critério.