Portugal deve reduzir dívida da mesma forma que baixou défice
28 de out. de 2017, 12:14
— Lusa/AO Online
Em entrevista à Lusa, o presidente do executivo comunitário
escusou-se a comentar um cenário de renegociação da dívida pública
portuguesa, alertando antes para a absoluta necessidade de combater um
fenómeno que classifica como “antissocial”, mas através de “uma política
orçamental prudente e responsável”.“Demasiada dívida é
antissocial, porque a dívida acumulada de hoje terá que ser paga pelos
nossos filhos e netos. Demasiada dívida arruína as perspetivas da
próxima geração de uma educação adequada, de um sistema de saúde fiável e
de uma segurança social sólida”, advertiu.Contudo, segundo
Juncker, “a forma mais efetiva de enfrentar o problema da dívida é
retomar o caminho de um crescimento e finanças públicas sustentáveis” e
“é isso mesmo que Portugal está a fazer e esteve na base da recomendação
para encerrar o Procedimento por Défice Excessivo” em maio passado.“Estou
convencido de que, à medida que a retoma continua a consolidar-se, e
sendo mantido o compromisso com uma política orçamental prudente e
responsável, Portugal fará mais progressos no alívio do seu fardo da
dívida”, disse.Jean-Claude Juncker sublinhou que “a promoção de
finanças públicas sólidas é uma prioridade da Comissão Europeia”, razão
pela qual, “juntamente com o investimento e as reformas estruturais, a
responsabilidade orçamental orientou a agenda económica da Comissão”
desde que se tornou presidente do executivo comunitário, em 2014.“Esta
política está a dar frutos. O défice público global na zona euro desceu
de mais de 6% em 2009 para uma estimativa de 1,4% em 2017. Hoje, apenas
três países continuam a ser objeto de Procedimentos por Défice
Excessivo, em comparação com 24 no pico da crise financeira”, apontou.Segundo Juncker, esta é a demonstração de “um progresso real, e Portugal fez a sua parte”, cabendo o mérito ao povo português. “Em
Portugal, os esforços enormes do povo português para ‘dar a volta’ à
economia e fazer as finanças do país regressarem a uma posição mais
estável e sustentável estão a dar resultados. É por isso que tivemos a
possibilidade de recomendar o encerramento do PDE a Portugal. Esta foi
uma conquista do povo português”, disse.