Portugal destaca “janela temporal” para dialogar com EUA até 1 de fevereiro

Gronelândia

Hoje 11:25 — Lusa/AO Online

“Eu creio que, mais importante do que essa discussão [sobre que medidas a adotar], é termos ainda aqui uma janela temporal até dia 1 de fevereiro para ser possível continuar a dialogar com os Estados Unidos”, apontou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas no final da reunião dos ministros das Finanças da UE, o governante acrescentou: “Ainda hoje de manhã o Secretário do Tesouro americano também veio referir isso e, portanto, deixemos que o Conselho Europeu tome as decisões [na quinta-feira] que reunirem o máximo consenso possível e que depois seja possível nos sentarmos com os Estados Unidos, sempre com esta linha vermelha de que não pode haver qualquer violação da integridade territorial de um dos Estados-membros”.“Salientaria que há uma posição de grande unidade no apoio à Dinamarca”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento, referindo que “essa união ficou bem vincada, quer ontem [segunda-feira] na reunião do Eurogrupo, quer sobretudo hoje na reunião do Ecofin”.Na segunda-feira à noite, depois da reunião do Eurogrupo, a Comissão Europeia disse que a UE tem “todos os instrumentos sobre a mesa”, preferindo porém dialogar com os Estados Unidos após ameaças tarifárias a alguns países comunitários por oposição ao controlo norte-americano da Gronelândia.Em concreto, segundo fontes europeias, os países da UE estão a analisar avançar com tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos no valor de cerca de 93 mil milhões de euros (direitos aduaneiros sobre a importação de produtos norte-americanos como whisky e manteiga de amendoim) ou com a utilização do novo instrumento anticoerção do bloco comunitário (que poderia trazer limites às trocas comerciais ou aos investimentos), caso Donald Trump imponha tarifas a oito países europeus (seis dos quais da União) na sua tentativa de assumir o controlo da ilha dinamarquesa da Gronelândia.Há cerca de um ano, quando tomou posse para um segundo mandato à frente da Casa Branca, Donald Trump avançou com tarifas contra vários territórios, entre os quais a UE, mas as ameaças foram sanadas através de um acordo comercial assinado por Bruxelas e Washington no verão passado prevendo um limite máximo de 15% de direitos aduaneiros.Certo é que, perante as tensões comerciais do ano passado, a UE chegou a delinear um pacote de tarifas retaliatórias 93 mil milhões de euros aos Estados Unidos, que está congelado até fevereiro, podendo o bloco comunitário recorrer a tal lista caso as novas ameaças de Trump se concretizem.Existe também em vigor, há três anos, uma ‘bazuca’ comercial, represálias que a UE pode implementar contra a pressão de um país terceiro.O assunto estará em debate na cimeira europeia extraordinária da próxima quinta-feira.Foi convocada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, depois de Donald Trump ter afirmado que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, que possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.