Portugal defende direitos das mulheres em debate sobre aborto no PE
UE/Presidência
9 de fev. de 2021, 12:57
— Lusa/AO Online
“Enquanto
mulher e enquanto membro de um Governo afirmo diante de vós que os
direitos das mulheres são direitos humanos fundamentais e os direitos à
saúde sexual e reprodutiva estão no cerne destes”, disse a secretária de
Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, num debate, no
Parlamento Europeu (PE), sobre a proibição de facto do aborto na
Polónia.A secretária de Estado, intervindo
em representação do Conselho da União Europeia (UE) – cuja presidência
Portugal assume até 30 de junho – defendeu ainda que “as mulheres devem
poder exercer os seus direitos de saúde sexual e reprodutiva sem
qualquer coerção”.Ana Paula Zacarias
salientou, no entanto, que a política de saúde é da competência dos
Estados-membros, não tendo a União Europeia competência sobre esta
matéria.Por seu lado, a comissária
europeia para a Saúde, Helena Dalli, lembrou que com a publicação, em
janeiro de um acórdão do Tribunal Constitucional polaco, “o aborto
deixou de ser permitido mesmo em caso mal formação irreversível e
comprovada do feto”.A comissária salientou
ainda que “a constitucionalidade das leis polacas não pode ser
garantida” na conjuntura atual em que a independência do sistema
judicial é alvo de um processo de infração por parte de Bruxelas.O
tribunal baniu em outubro de 2020 a interrupção voluntária da gravidez
em caso de malformação do feto, ao considerar ser "incompatível" com a
Constituição, o que conduz a uma proibição da interrupção voluntária da
gravidez à exceção de casos de violação ou incesto, ou quando a vida da
mãe está em perigo, tendo o acórdão sido publicado em janeiro.Numa
resolução, em novembro, o PE considerou que “os recentes acontecimentos
na Polónia – em particular, o litígio político e jurídico relativo à
composição do Tribunal Constitucional e as novas regras sobre o seu
funcionamento – suscitaram preocupações quanto à capacidade do Tribunal
Constitucional para defender a Constituição e garantir o respeito pelo
Estado de direito”.O texto assinala ainda
que a decisão de outubro “foi proferida pelos juízes eleitos por
políticos da coligação no poder liderada pelo Partido Direito e Justiça
(PiS), e totalmente dependentes destes, na sequência do pedido dum grupo
de deputados da coligação no poderO PE
convidou então a Comissão Europeia “a proceder a uma avaliação exaustiva
da composição do Tribunal Constitucional e a ponderar a possibilidade
de iniciar um processo por infração relativamente às suas decisões e à
sua composição ilegal, o que levanta questões sobre a sua capacidade
para respeitar a Constituição polaca”.O
Governo polaco anunciou em 27 de janeiro que o acórdão do Tribunal
Constitucional que praticamente proíbe a prática do aborto entrou em
vigor após a sua publicação, no mesmo dia, no Jornal oficial. “O
Tribunal Constitucional apresentou uma justificação escrita do acórdão
sobre a proteção da vida. Em conformidade com as exigências
constitucionais, o acórdão será publicado hoje no Jornal oficial”,
indicou o Centro de informação do Governo em mensagem na rede social
Twitter. A decisão foi contestada por manifestações.