Portugal defende ciência aberta na Conferência Geral da UNESCO
13 de nov. de 2019, 18:39
— Lusa/AO Online
"Trazemos aqui a mensagem
intrínseca de a UNESCO ter que reforçar as questões da abertura do
conhecimento através dos conceitos da ciência aberta ou da divulgação
aberta. E trazemos três mensagens claras: abertura do acesso,
participação clara de todos os cidadãos e conhecimento relevante",
afirmou o ministro em declarações à Agência Lusa. Foi
esta uma das mensagens que Manuel Heitor transmitiu no seu discurso no
plenário da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO) que decorre até 27 de novembro. "Quero
deixar claro que Portugal apoia os esforços da UNESCO no debate ético
sobre a Inteligência Artificial e o seu envolvimento na elaboração de
recomendações sobre a partilha aberta do conhecimento", disse.O
ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior vai ainda participar
hoje numa reunião ministerial que prevê a adoção da Convenção Global
sobre o Reconhecimento de Qualificações do Ensino Superior. Caso esta
convenção venha a ser ratificada pelos 193 países da UNESCO poderá
facilitar o reconhecimento mútuo dos diplomas universitários, área em
que Manuel Heitor considera que Portugal já é "líder". "Portugal
tem sido líder no reconhecimento mútuo, privilegiando relações
multilaterais no contexto da UE, mas também com os países de expressão
portuguesa", indicou ministro questionado pela Lusa, acrescentando que
mesmo com este novo instrumento, estes processos "são feitos no contexto
da autonomia das instituições de ensino superior" e dos regimes de
acreditação internacionais.Com a
proclamação do Dia Mundial da Língua Portuguesa a acontecer até 27 de
novembro neste encontro, Manuel Heitor falou à Conferência Geral da
UNESCO em português e considerou que se deve incentivar os cientistas
nacionais a divulgar os seus estudos também na língua de Camões."Sabemos
que a atividade científica é particularmente desenvolvida e promovida
em inglês e continuará a ser assim, mas isso não deve evitar a formação
de cientistas e o desenvolvimento de ciência noutras línguas", afirmou o
ministro.Para reforçar este movimento,
Manuel Heitor mencionou a criação do Centro para a Formação Avançada de
Cientistas oriundos de países de língua portuguesa, na Fundação para a
Ciência e a Tecnologia, em cooperação com a UNESCO, e ainda a
organização da Conferência Europeia para as Humanidades, que vai
acontecer em Portugal no primeiro semestre de 2021.