Portugal continua fortemente dependente do exterior em produtos lácteos, cereais e frutos
Hoje 15:32
— Lusa/AO Online
Os
graus de autoaprovisionamento do país fixaram-se em 88,4% no leite e
derivados, 16,8% nos cereais e 72,6% nos frutos, mas com o arroz a
destinar metade da produção à exportação, registando um grau de
autoaprovisionamento de 119,3%.Além do arroz, o azeite (247,9%) e o vinho (107,2%) mantiveram posições excedentárias.O
grau de autoaprovisionamento de 88,4% nos produtos lácteos ficou abaixo
do ano anterior. "O leite para consumo público, a manteiga e o leite em
pó mantiveram-se excedentários, enquanto os leites acidificados, as
bebidas à base de leite e o queijo continuaram a apresentar défices de
abastecimento", indicou o INE.Na campanha
2024/2025, o autoaprovisionamento dos cereais (exceto arroz) manteve-se
muito reduzido (16,8%), evidenciando "a forte dependência do exterior".Já
o grau de autoaprovisionamento dos frutos foi de 72,6%, mantendo-se uma
situação deficitária apesar do aumento da produção e do consumo.Em
sentido oposto, os dados do INE indicam que o azeite reforçou a posição
excedentária, atingindo um grau de autoaprovisionamento de 247,9%,
naquela que foi a segunda campanha mais produtiva de sempre.Também
o vinho manteve um grau superior à autossuficiência (107,2%), apesar da
redução da produção face ao ano anterior. Contudo, as exportações
aumentaram e as importações diminuíram, de acordo com o INE. No
ano passado, a produção interna contribuiu com 75,1% da quantidade de
carne necessária para satisfazer o mercado nacional, embora com menos
1,1 pontos percentuais do que no ano anterior. Apesar
da quebra no consumo, a carne de animais de capoeira continuou a ser a
mais consumida (47,3 quilogramas (kg)/habitante), comparando com 49,3
quilogramas (kg)/habitante em 2024, seguida da carne de suíno (40,6
kg/habitante contra 41,6 kg/habitante em 2024).Em
2025, o rendimento da atividade agrícola, em termos reais, por unidade
de trabalho ano (UTA), registou uma diminuição de 4,5%, em consequência
da redução dos “Outros subsídios à produção” (-16,5%), e apesar do
aumento nominal do Valor Acrescentado Bruto (VAB) em 2,9%.Em termos reais, contudo, o VAB diminuiu 3,7%, refletindo sobretudo o decréscimo em volume da produção agrícola (-1,4%).