Portugal compromete-se com ajuda à Ucrânia de 220 milhões este ano e igual valor em 2025
NATO
10 de jul. de 2024, 12:22
— Lusa/AO Online
Luís
Montenegro falava aos jornalistas, antes de um jantar na
residência oficial de Portugal em Washington, acompanhado dos ministros
de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e da Defesa
Nacional, Nuno Melo, no âmbito da cimeira da NATO que decorre até
quinta-feira.A cimeira, que se iniciou na
terça-feira com uma cerimónia evocativa dos 75 anos da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (NATO, siga em inglês), tem entre os temas
centrais o apoio à Ucrânia, com uma proposta do secretário-geral, Jens
Stoltenberg, para que a Aliança se comprometa com um valor anual de 40
mil milhões de euros.Aos jornalistas, o
primeiro-ministro português reiterou o compromisso, já assumido no final
de junho, de apresentar na cimeira um plano para que Portugal atinja um
investimento em segurança e defesa de 2% do Produto Interno Bruto (PIB)
em 2029.“Nós temos um compromisso que
ontem mesmo formalizei numa carta que enviei ao secretário-geral da NATO
de que o atingir dos 2% da nossa despesa orçamental com a área da
defesa será atingido um ano antes daquilo que estava previsto, em 2029”,
disse. Dentro do esforço dos aliados da
NATO no investimento na segurança e defesa, disse, “está também
contemplada uma contribuição financeira de grande monta nesta coligação
internacional à volta do apoio militar, humanitário, político e
económico à Ucrânia”.“Só este ano, nós
estimamos poder vir a atingir um valor de apoio superior a 220 milhões
de euros, que será repetido no próximo ano, tudo indica dentro daquilo
que vai ser o acerto final que agora nesta cimeira será estabelecido”,
disse.Montenegro defendeu que, se este é
um esforço do país por razões securitárias, “é um esforço que tem o
retorno da atividade económica que também pode ser gerada” e detalhou
alguns dos setores que poderá beneficiar.“Será
centrado na tecnologia, em todo o conhecimento que já temos em vários
materiais, em vários equipamentos. Nós temos, por exemplo, ao nível dos
'drones', dos veículos não tripulados, uma competitividade muito
significativa, e temos depois outros materiais que são conexos, por
exemplo, à nossa indústria têxtil, altamente competitiva para muitos dos
equipamentos que as forças militares necessitam”, referiu.Questionado
sobre notícias que dão conta de uma execução orçamental aquém do
previsto na área da Defesa nos últimos anos, o primeiro-ministro
assegurou que o objetivo é ter orçamentos “que não sejam letra morta”.“Como
sabem, ainda não temos nenhum aprovado por nós, mas tentaremos que os
objetivos orçamentais não sejam apenas instrumento de desenho na redação
do orçamento”, disse.Neste setor em
concreto, o chefe do Governo comprometeu-se com um reforço do
investimento “nas capacidades de recrutamento e retenção de capital
humano e na valorização da carreira dos militares”.“Vamos
também precisar de fazer um investimento no apetrechamento das nossas
Forças Armadas com os equipamentos que estão na Lei de Programação
Militar”, disse, apontando como exemplo a aprovação no último Conselho
de Ministros de uma resolução que autoriza o início das discussões
técnicas e negociais para a eventual aquisição de aeronaves A-29 Super
Tucano.Questionado se não teme que uma
eventual eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos
possa pôr em causa os objetivos traçados pela NATO, Montenegro salientou
que “há compromissos que estão muito para além da política interna de
cada país”.“A mim o que concentra toda a
atenção e ao Governo de Portugal é que esta Aliança que comemora 75 anos
de existência - tendo começado com 12 nações e sendo nós uma das
fundadoras - conseguiu chamar para si até ao momento mais vinte, e tem
interações com vários países importantes noutras geografias”, disse.Montenegro,
acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa,
participa hoje na cerimónia de cumprimentos oficiais pelo
secretário-geral da NATO e pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe
Biden, aos chefes de Estado e de Governo presentes em Washington e na
reunião do Conselho do Atlântico Norte, o principal organismo de decisão
política dos aliados.Ao final do dia, o
primeiro-ministro irá, acompanhado pela mulher, ao jantar na Casa Branca
oferecido aos chefes de Estado e de Governo que participam na cimeira.