Portugal compromete-se a reforçar financiamento da Agência Espacial Europeia
22 de nov. de 2022, 14:18
— Lusa/AO Online
O
compromisso foi assumido durante o Conselho Ministerial da Agência
Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) que se reúne durante dois
dias, em Paris, entre hoje e quarta-feira.Em
declarações à agência Lusa, a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior disse que as suas expectativas para o encontro são
“extremamente positivas”, sobretudo depois de ouvir as intervenções
iniciais dos seus homólogos.“Todos
concordaram em aumentar o orçamento para a ESA para termos autonomia, em
termos europeus, no que concerne toda a área do espaço e, com isso,
podermos também alavancar a economia e resolver parte dos problemas que
temos”, relatou Elvira Fortunato.Portugal
também subscreveu esse compromisso e, sem quantificar para já, a
governante adiantou que o Governo vai reforçar o investimento já
previsto para os próximos cinco anos de cerca de 115 milhões de euros em
programas da agência.“A Europa tem de ser
mais ambiciosa”, sublinhou a ministra, acrescentando: “Não podemos
estar continuamente a depender de dados ou de soluções que nos são
impostas e vendidas por outros estados”, designadamente os Estados
Unidos e a China.Da parte de Portugal,
Elvira Fortunato explicou que desde 2016, quando passou a integrar a
ESA, que o país “tem vindo a aumentar a sua contribuição financeira” e
destacou a posição estratégica, sobretudo dos Açores, e a participação
de investigadores e da indústria portuguesa em programas de
desenvolvimento científico e tecnológico.Num
balanço da primeira manhã do Conselho Ministerial, a ministra destacou
da intervenção do diretor-geral da Agência, Josef Aschbacher, as
palavras dirigidas às gerações mais novas e o compromisso para a
preservação do planeta, que também sublinhou no seu discurso.“Vivemos,
hoje, uma encruzilhada geracional em que a nossa geração trouxe
progresso e prosperidade, mas falhou em ver que o mundo tem limites
naturais, e agora esta geração jovem está forçada a resolver o que
fizemos mal. Mas temos esperança e a esperança é mais forte do que o
medo”, disse a responsável no seu discurso.Em
declarações à Lusa, Elvira Fortunato explicou que o espaço tem
igualmente um papel no combate às alterações climáticas e na preservação
da biodiversidade, através da avaliação e controlo da atmosfera, dos
solos e das florestas, possibilitada pelos satélites.“Isso
dá-nos informação muito específica para sabermos em que situação esses
territórios se encontram e em que medida os podemos proteger”, referiu,
apontando, por outro lado, a necessidade de assegurar “um espaço
sustentável para uma Terra sustentável”, a respeito da gestão e controlo
do lixo espacial.