Portugal com excedente orçamental de 2,8% do PIB até setembro
OE2022
23 de dez. de 2022, 12:13
— Lusa/AO Online
"No conjunto dos três
primeiros trimestres de 2022, o saldo das AP [Administrações Públicas]
fixou-se em 4.980 milhões de euros (2,8% do PIB, que compara com -2,5%
do PIB em igual período de 2021)", explica a nota do INE. As
contas nacionais registaram, assim, uma melhoria face ao défice de 2,5%
registado até ao final de setembro do ano passado, depois de já terem
alcançado um excedente de 0,8% no primeiro semestre deste ano. A
explicar a melhoria significativa face aos valores registados nos
primeiros nove meses do ano passado está um crescimento da receita total
de 11,6% e uma diminuição da despesa total de 1,1%. No
conjunto dos três trimestres deste ano, o valor da receita corrente
(com um peso de 43,4% do PIB) subiu 13,5% face ao período homólogo do
ano passado, sendo impulsionado pelo aumento de 28,3% dos impostos sobre
o rendimento e património e de 15,7% dos impostos sobre a produção e
importação.Já as contribuições sociais
aumentaram 8,6% e as vendas 16,1%, enquanto, por outro lado, a outra
receita corrente caiu 24,5% e a receita de capital 51,8%.Por
sua vez, a despesa corrente (com um peso de 38,4% do PIB) caiu 0,4%,
devido à queda de 71,5% do valor dos subsídios e de 9,8% dos juros. Por
outro lado, as prestações sociais subiram 3,1%, tal como as despesas com
pessoal, enquanto o consumo intermédio aumentou 5,1%. O
valor das despesas de capital caiu 10,9%, devido à redução em 53,5% da
outra despesa de capital, enquanto o investimento subiu 9,8%. Isolando
apenas o terceiro trimestre deste ano, o saldo orçamental alcançou um
excedente de 6,8% do PIB (4.147,2 milhões de euros), contribuindo de
forma significativa para o resultado acumulado dos primeiros nove meses
do ano, e que compara com o défice de 3,5% no período homólogo. O
resultado do terceiro trimestre reflete um aumento de 10,8% da receita
total e de 2,7% da despesa total face a igual período do ano passado. O
aumento de 15,2% da receita corrente resulta dos aumentos em todas as
suas componentes, exceto na outra receita corrente, indica o INE.Deste
modo, os impostos sobre o rendimento e património, sobre a produção e
importação, as contribuições sociais e as vendas cresceram 32,7%, 9,4%,
9,7% e 16,4%, respetivamente, tendo a outra receita corrente diminuído
19,2%. “A evolução positiva da receita
fiscal (20,0%) e contributiva (9,7%) evidencia a recuperação da
atividade económica, o comportamento do mercado de trabalho face ao
período homólogo, bem como, no caso dos impostos sobre a produção e
importação, a evolução da inflação e ainda efeitos de base, na sequência
da crise pandémica, como o atrás referido sobre o IRC”, explica o
organismo de estatística.No lado da
despesa, registou-se um aumento de 2,3% da despesa corrente, devido ao
aumento da despesa com prestações sociais (2,7%), das despesas com
pessoal (3,0%), tendo o consumo intermédio registado um aumento de 2,6% e
a outra despesa corrente de 26,6%. Por outro lado, os encargos com juros diminuíram 4,7% e os subsídios pagos diminuíram 46,8%.Para
a totalidade do ano, o Governo prevê um défice de 1,9% do PIB, mas o
primeiro-ministro já sinalizou que não deverá ultrapassar os 1,5% do
PIB.