Portugal candidata-se a programa europeu para detetar trajetória de objetos espaciais
27 de ago. de 2017, 19:35
— Lusa/AO Online
A candidatura ao programa
"Space Surveillance and Tracking (SST, Vigilância e Rastreio Espacial)
foi apresentada esta semana, refere em comunicado o Ministério da
Defesa, que preparou o processo, em coordenação com o Ministério da
Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, a Presidência do Conselho de
Ministros e os Governos Regionais dos Açores e da Madeira. Segundo
a agência espacial europeia ESA, o lixo espacial constitui "uma das
principais ameaças aos sistemas de satélite", dos quais dependem
serviços de telecomunicações, meteorologia ou transportes. A ESA
estima que mais de 700 mil detritos estejam na órbita terrestre e
possam danificar ou destruir os satélites que ainda estão ativos. O
Ministério da Defesa Nacional adianta que, a ser aprovada a
candidatura, a participação de Portugal no SST "permitirá capacitar" o
país em "áreas sensíveis e tecnologicamente diferenciadas" e "contribuir
para uma maior segurança nacional e internacional no e do espaço". O
programa europeu, para o qual foi atribuído um financiamento global de
cerca de 190 milhões de euros, no atual quadro comunitário (2014-2020),
possibilita a criação de "uma rede cooperativa europeia capaz de mapear,
seguir e estimar trajetórias de objetos espaciais, sejam satélites
ativos ou lixo espacial". De acordo com o ministério, o SST visa
reduzir o risco de colisão com objetos durante as missões espaciais,
calcular "a pegada destruidora" na superfície da Terra em caso de
reentrada dos objetos na atmosfera e vigiar a atividade dos satélites
não-europeus "que ponham em perigo a segurança e a defesa da Europa". O
programa, ao qual aderiram países como Alemanha, França, Reino Unido,
Holanda e Espanha, entrou na fase de candidaturas finais e arranca, em
termos práticos, em 2018, disse à Lusa o ministro da Ciência, Tecnologia
e do Ensino Superior, Manuel Heitor. Portugal candidata-se ao
SST com uma verba inicial de até 1,4 milhões de euros, inscrita na Lei
de Programação Militar, lê-se na resolução de Conselho de Ministros,
aprovada em julho, que cria, na dependência do ministro da Defesa,
Azeredo Lopes, o "Grupo de Projeto Space Surveillance and Tracking", que
tem como missão preparar a candidatura ao SST e operacionalizar os
projetos nacionais propostos. O SST, segundo o diploma, irá "contribuir para o desenvolvimento das duas regiões ultraperiféricas nacionais, os Açores e a Madeira, aproveitando e maximizando a sua vantagem geoestratégica". O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior assinalou, a este propósito, que o arquipélago dos Açores beneficia de uma localização adequada para ter sistemas de monitorização de satélites.