Portugal anuncia na reunião de Ramstein reforço de apoio militar a Kiev

21 de abr. de 2023, 17:52 — Lusa

Em declarações à Lusa, no final da reunião do grupo de contacto para a Ucrânia, que reuniu hoje em Ramstein, a ministra da Defesa, Helena Carreiras, salientou o “espírito de unidade, coesão e determinação” entre os aliados de Kiev.“Estamos e continuamos juntos e determinados”, assegurou Helena Carreiras, referindo a intenção de reforço da ajuda militar por parte dos mais de 50 países do grupo, incluindo Portugal, que anunciou novo apoio de equipamento de combate e de socorro médico.“Vamos enviar cinco viaturas blindadas de socorro", disse a ministra, referindo-se a três viaturas blindadas de tipo M113, preparadas para o transporte de feridos, e dois carros blindados de tipo M577, na versão médica, adequada para a montagem de postos avançados de socorro.Perante os membros do grupo de contacto para a Ucrânia, Portugal anunciou ainda o reforço de envio de munições de calibre 105mm.Helena Carreiras disse que a reunião de hoje serviu prioritariamente para os países aliados de Kiev discutirem a questão da manutenção do equipamento já enviado para o teatro de guerra.“Ao fim de um ano de guerra, percebemos que a logística de apoio, para além do envio de material, deve lidar também com a manutenção do equipamento militar”, explicou a ministra da Defesa.À margem da reunião do grupo de contacto, Helena Carreiras participou ainda num encontro da “coligação de tanques”, que associa todos os países que já enviaram carros blindados de combate para a Ucrânia, incluindo Portugal, que enviou várias unidades de tanques Leopard, de fabrico alemão.A expectativa é que esta coligação seja alargada nos próximos meses, disse a ministra portuguesa, confiante de que no futuro haverá mais países a apoiar com carros blindados de combate.Outra matéria discutida hoje na reunião de Ramstein foi a resposta a dar aos apelos de aviões de combate para Kiev, mas Carreiras admitiu que não houve muitos mais progressos do que aqueles que têm vindo a ser conseguidos nos últimos meses.O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem insistido na necessidade de receber aviões de combate ocidentais, para fazer frente aos sucessivos ataques aéreos das forças russas.“Percebemos essa necessidade e tentaremos dar resposta aos apelos da Ucrânia, sabendo da importância da Força Aérea para a proteção das populações e das forças militares”, garantiu Helena Carreiras.“A Ucrânia tem apresentado sucessivas listas de pedidos de equipamento militar. Temos tomado nota e procurado corresponder a essas necessidades, como continuaremos a fazer”, concluiu a ministra da Defesa.A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 8.534 civis mortos e 14.370 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.