Portugal alerta países que decisões sobre vacina da AstraZeneca “afetam todos”
UE/Presidência
8 de abr. de 2021, 11:26
— Lusa/AO Online
Num
comunicado divulgado após a reunião virtual dos ministros europeus da
Saúde, convocada de emergência e presidida pela ministra portuguesa da
tutela, Marta Temido, lê-se que “a Comissão Europeia e a presidência
portuguesa do Conselho da União Europeia apelaram a todos os
Estados-membros para que procurem uma posição o mais coordenada possível
na UE”.Citada pela nota, Marta Temido sublinha: “Não devemos esquecer que as decisões individuais afetam todos”.A
presidência portuguesa do Conselho da UE promoveu hoje uma reunião de
emergência, por videoconferência, dos ministros europeus da tutela, que
se realizou depois do anúncio público das conclusões do relatório do
Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia do
Medicamento (EMA) sobre a segurança da vacina AstraZeneca.A
agência europeia divulgou que existe uma “possível relação” entre a
vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de
“casos muito raros” de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios
do fármaco face aos riscos de efeitos secundários, dada a gravidade da
pandemia.“Esta é uma decisão técnica, não
uma decisão política. Devemos continuar a seguir a melhor informação
científica disponibilizada pela EMA nos seus pareceres”, adianta Marta
Temido na declaração divulgada à imprensa no final da reunião.A
diretora executiva da EMA, Emer Cooke, participou nesta reunião
virtual, tendo garantido aos ministros da tutela que o regulador europeu
vai “continuar a acompanhar eventuais efeitos secundários, desta e de
todas as vacinas contra a covid-19, atualizando recomendações em caso de
necessidade”, segundo o comunicado.A nota
dá ainda conta, sem precisar, que “os Estados-membros da UE partilharam
diferentes interpretações sobre as conclusões do relatório, tendo
procurado, no entanto, clarificar com a EMA aspetos relacionados com a
segurança da Vaxzevria”, o novo nome do fármaco da AstraZeneca.“Todos
concordaram na necessidade de mais estudos de farmacovigilância para
grupos específicos”, indica o comunicado divulgado pela presidência
portuguesa do Conselho.É ainda referido
que, “estando os planos de vacinação nos Estados-membros numa fase
crucial da sua concretização, os ministros assumiram o compromisso de
prosseguir com prioridade a discussão de matérias relacionadas com todo o
processo europeu e o seu planeamento futuro”.Nesta
investigação, a EMA verificou que estes casos muito raros de coágulos
de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de
idade, no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não tenha
chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.Uma
possível explicação poderá estar na baixa resposta imunológica destas
pessoas, mas também no facto de mais mulheres estarem a ser vacinadas na
Europa.