Portugal admite reconhecer o Estado da Palestina numa declaração com 15 países
30 de jul. de 2025, 16:02
— Lusa/AO Online
“Antes da
reunião dos chefes de Estado e de Governo que terá lugar durante a
semana de alto nível da 80.ª sessão da Assembleia Geral das Nações
Unidas (AGNU 80) em setembro de 2025, (…) [os chefes da diplomacia de 12
países europeus, Canadá, Austrália e Nova Zelândia] já reconhecemos,
expressámos ou expressamos a vontade ou a consideração positiva dos
nossos países em reconhecer o Estado da Palestina, como um passo
essencial para a solução de dois Estados”, lê-se na declaração conjunta,
subscrita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, no final
da conferência, que terminou na terça-feira, em Nova Iorque. Pela
Europa, assinam a declaração Andorra, Finlândia, França, Islândia,
Irlanda, Luxemburgo, Malta, Noruega, Portugal, San Marino, Eslovénia e
Espanha. Entre estes países, Espanha, Irlanda, Noruega e Eslovénia
reconheceram o Estado palestiniano no ano passado.França
anunciou na semana passada que dará esse passo na Assembleia Geral da
ONU, em setembro, e o Reino Unido poderá fazer o mesmo, anunciou o
primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na terça-feira.“Convidamos
todos os países que ainda não o fizeram a aderir a este apelo” sobre o
reconhecimento do Estado da Palestina, exortam os ministros na
declaração conjunta, que apelam ainda aos países que ainda não o fizeram
“a estabelecer relações normais com Israel e a expressar a sua vontade
de iniciar discussões sobre a integração regional do Estado de Israel”.Os
15 países afirmam-se ainda determinados em “trabalhar numa arquitetura
para o ‘dia seguinte’ em Gaza que garanta a reconstrução de Gaza, o
desarmamento do Hamas e a sua exclusão da governação palestiniana”.Os
ministros condenam o “hediondo ataque terrorista antissemita de 07 de
outubro de 2023”, perpetrado pelo movimento islamita palestiniano em
território israelita, que causou cerca de 1.200 mortos e perto de 250
reféns – dos quais cerca de 50, incluindo 20 vivos, permanecem detidos
no enclave palestiniano.“Exigimos um
cessar-fogo imediato, a libertação imediata e incondicional de todos os
reféns do Hamas, incluindo os restos mortais, bem como a garantia de
acesso humanitário sem obstáculos”, reclamam, na declaração.A
declaração expressa “profunda preocupação com o elevado número de
vítimas civis e a situação humanitária em Gaza” e sublinham o “papel
essencial” das Nações Unidas e das suas agências na “facilitação da
assistência humanitária”.Israel
interrompeu durante meses a entrada de ajuda humanitária no enclave,
enquanto a entrega de alimentos, por uma organização privada, apoiada
pelos israelitas e pelos norte-americanos, está a ser marcada pela morte
de mais de 1.000 palestinianos pelas forças israelitas. A
ONU e outras organizações têm denunciado a fome em Gaza, que tem gerado
uma crescente indignação global devido às políticas e práticas
israelitas - o que Israel nega.Os 15
países reiteram o “compromisso inabalável com a visão da solução de dois
Estados, em que dois Estados democráticos, Israel e a Palestina,
coexistam em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, em
conformidade com o direito internacional e as resoluções pertinentes da
ONU”. Salientam ainda a “importância de unificar a Faixa de Gaza com a Cisjordânia sob a Autoridade Palestiniana”.Na
declaração, os países aplaudem os compromissos assumidos pela
Autoridade Palestiniana em 10 de junho, nomeadamente a condenação dos
ataques terroristas de 07 de outubro, o apelo à libertação dos reféns e
ao desarmamento do Hamas, o compromisso de pôr termo ao sistema de
pagamento aos prisioneiros, de realizar uma reforma escolar e de
convocar eleições dentro de um ano, além de aceitar o princípio de um
Estado palestiniano desmilitarizado.Na
terça-feira, na intervenção na conferência de dois dias, convocada por
França e Arábia Saudita, o ministro Paulo Rangel já tinha destacado
alguns destes compromissos assumidos pela Autoridade Palestiniana, que
considerou “um novo passo para a concretização da solução dos dois
Estados”.Para o chefe da diplomacia
portuguesa, a declaração da Autoridade Palestiniana, aliada a “uma nova
posição de tantos Estados da região relativamente a Israel e ao seu
direito à existência”, marcam “um ponto de viragem”.A
Conferência Internacional para a Solução de Dois Estados no Médio
Oriente terminou na terça-feira com uma declaração que apoia
"inabalavelmente" uma solução de dois Estados para o conflito
israelo-palestiniano e para a guerra em curso em Gaza. A
"Declaração de Nova Iorque" estabelece um plano por fases para pôr fim
ao conflito de quase oito décadas e a guerra em Gaza, culminando com uma
Palestina independente e desmilitarizada, ao lado de Israel, e a
eventual integração deste país na região do Médio Oriente. No
último dia da Conferência de Nova Iorque, o primeiro-ministro britânico
anunciou que o Reino Unido vai reconhecer o Estado da Palestina em
setembro, se Israel não cumprir uma série de condições, nomeadamente
acabar com a "situação catastrófica em Gaza". Decretar
um cessar-fogo no enclave palestiniano e garantir que não vai anexar a
Cisjordânia são outras das condições mencionadas por Keir Starmer.