Portugal 2020 induz aumento médio de 1,3% do PIB entre 2015-2023
21 de abr. de 2023, 12:06
— Lusa/AO Online
De
acordo com o ‘Relatório síntese dos resultados das avaliações do
Portugal 2020’, durante o período de execução (2015-2023) o programa
"será responsável por um acréscimo médio de 1,3% do PIB [Produto Interno
Bruto] face a um cenário sem a intervenção dos FEEI [Fundos Europeus
Estruturais e de Investimento] (‘steady state’)”. O
documento – que congrega as principais conclusões das avaliações
realizadas no âmbito do Plano Global de Avaliação do Portugal 2020 (PGA
PT2020), sob coordenação da Agência para o Desenvolvimento e Coesão
(AD&C) – detalha que os “efeitos sobre o PIB atingem um máximo de
2,3% em 2022” e que “esse efeito, ao fim de 20 anos, é ainda de 1,6%”.O
relatório refere também que os “efeitos sobre o PIB são acompanhados
por impactos positivos e duradouros sobre a produtividade e os salários
reais”, enquanto “os efeitos sobre o emprego são positivos (sobretudo
dos trabalhadores mais qualificados), mas ocorrem apenas durante o
período de execução”.Da avaliação feita ao
Portugal 2020 resulta ainda que o “efeito positivo sobre as exportações
é acompanhado por um aumento das importações”, sobretudo no período de
execução dos FEEI, o que “conduz a um agravamento da balança de bens e
serviços no período de execução dos FEEI”.“Em
termos acumulados, a intensidade e persistência dos impactos do
Portugal 2020 traduz-se num efeito multiplicador do PIB de 3,01 até
2073”, lê-se no relatório, segundo o qual este efeito “é impulsionado,
sobretudo, pelos investimentos no domínio do capital humano (cujo
multiplicador é superior a sete), e pelo investimento público em
infraestruturas produtivas e de transportes (cujo multiplicador é de
2,66)”.As regiões menos desenvolvidas são
as que evidenciam “maiores efeitos relativos sobre o PIB, medidos pelo
rácio entre os efeitos sobre o PIB observados em cada região e os
efeitos observados a nível nacional”: Nos Açores esse rácio é 2,2 vezes o
impacto médio nacional, seguido pelo Alentejo (1,8) Norte (1,4) e
Centro (1,3).Se considerada a “quota” de
cada região nos impactos a nível nacional sobre o PIB, o relatório
refere que “são as regiões Norte e Centro que absorvem a maior parte dos
ganhos”, representando, respetivamente, 40,4% (compara com 37,9% dos
fundos do Portugal 2020 alocados à região) e 23,5% (26,6%) do total,
seguidas pela Área Metropolitana de Lisboa (AML), com 13,7% (8,8%).Na
avaliação feita do impacto macroeconómico do Portugal 2020, o relatório
detalha que o ‘mix’ de instrumentos de apoio mobilizados em cada
região, a composição setorial da economia regional e intensidade do
fator capital humano e as diferenças na estrutura de comércio entre
regiões “explicam multiplicadores do PIB regional distintos”.Como
resultado, precisa, a AML e, em menor grau, o Norte e o Algarve,
apresentam um multiplicador superior ao das restantes regiões.Da
avaliação resultou que os impactos do PT2020 “são semelhantes, ainda
que marginalmente menores, aos impactos estimados para o QREN (2007-
2014)”, correspondendo essa diferença, “em parte, a um menor efeito
multiplicador de intervenções do Capital Humano no Portugal 2020, fruto
da melhoria das qualificações de base da população no arranque deste
período de programação (que beneficiou do contributo das intervenções
QREN)”.Ainda referido no relatório é o
“leque muito abrangente de instrumentos de apoio no domínio da
competitividade e internacionalização, que cobrem (quase sempre)
adequadamente todo o ciclo de inovação e são frequentemente mobilizados
de forma sequencial pelas empresas”, embora seja apontada a “necessidade
de maior ajustamento à especificidade dos territórios e dos seus
atores”.Ao nível da eficácia do PT2020, é
feita uma “apreciação globalmente positiva da eficácia dos instrumentos
de apoio, considerando os objetivos por eles prosseguidos”, apesar de
“algumas assimetrias” e “oportunidades de melhoria” e da “dificuldade em
ter um retrato dos efeitos das intervenções” por “insuficiência na
definição de indicadores e de métricas”.A
relação entre o custo e a eficácia das intervenções “é tendencialmente
positiva, mas difere de acordo as tipologias e instrumentos de apoio”,
conclui, sendo que, relativamente à eficiência operativa do programa,
são apontadas “equipas insuficientes e com necessidades de maior
capacitação para responder a exigências”.Embora
considere que os níveis de seletividade dos projetos são “globalmente
adequados”, o relatório detetou “margem para melhorias pontuais, que
permitam maior diferenciação e alinhamento com os objetivos dos apoios”,
discrepância de procedimentos administrativos entre fundos e entre
autoridades de gestão” e “persistência do peso da carga administrativa
junto das entidades beneficiárias”.No que
se refere ao impacto socioeconómico do Portugal 2020, o relatório
conclui que “o efeito de escala dos FEEI foi determinante para a
prossecução das prioridades (e metas) europeias”, em particular as que
se referem à participação em atividades de aprendizagem ao longo da
vida, à redução do abandono escolar, ao aumento dos diplomados com
ensino superior ou equivalente, ao aumento da taxa de emprego e da
produção científica e ao aumento do investimento em investigação e
desenvolvimento (I&D).Entre as
recomendações efetuadas estão a necessidade de melhorar as práticas de
governação multinível, de um maior envolvimento dos ‘stakeholders ‘(em
particular dos atores regionais/locais) nos processos de programação, de
manter/reforçar a seletividade nos apoios atribuídos e de simplificar e
agilizar o acesso e atribuição dos apoios.