Portos do continente movimentam recorde de 81,3 milhões de toneladas até outubro
18 de dez. de 2017, 10:13
— Lusa/AO online
Segundo
o relatório da AMT referente ao movimento do mercado portuário entre
janeiro e outubro de 2017, “este registo da melhor marca de sempre
[neste período de nove meses] reflete idêntica realização observada nos
portos de Leixões, Aveiro e Sines, após variações face aos anteriores
máximos de +5,7%, +9,6% e +0,9%, respetivamente, tendo os dois primeiros
sido observados em 2015 e o último em 2016”.O
“maior contributo” para este desempenho foi dado pelo porto de Lisboa,
que registou um acréscimo de 2,1 milhões de toneladas, correspondente a
+26% numa quota de 12,6%, superior em 2,1 pontos percentuais à que
detinha em 2016. De
acordo com a AMT, os 10,3 milhões de toneladas movimentadas pelo porto
de Lisboa representam “o valor mais elevado dos últimos nove anos”.Medindo
o impacto no desempenho do sistema portuário pela conjunção da taxa de
variação homóloga e quota do volume movimentado, nas posições seguintes
surgem o porto de Leixões, com um acréscimo de 8,1% (correspondente a
+1,2 milhões de toneladas) e uma quota de 20,2%; de Aveiro, com
acréscimos de 17% num volume que representa 5,3%; e de Sines, que cresce
0,9% e tem subjacente uma quota de 52,2%.Também
com variações positivas, mas um “impacto pouco significativo no
desempenho global”, surgem os portos de Viana do Castelo e da Figueira
da Foz, com variações homólogas de +10,6% e de +0,1%, respetivamente, e
quotas de 0,4% e 2,1%.Já
os portos de Setúbal e de Faro mantiveram as variações negativas, de
-5,7% e de -54,9%, respetivamente, com o primeiro “a refletir a
normalização do seu movimento após o acentuado acréscimo verificado em
2016, por efeito da transferência de Lisboa”, e o segundo “a refletir a
instabilidade da atividade da CIMPOR no Centro de Produção de Loulé”.O
relatório da AMT alerta que este desempenho do sistema portuário do
continente e de alguns portos em particular “é em larga medida
caracterizado por dois fatores circunstanciais ocorridos em 2016: As
“perturbações laborais” no porto de Lisboa, que levaram a uma
“significativa diminuição” do tráfego neste porto e ao aumento do
movimento em Leixões e Setúbal; e a inoperacionalidade do Terminal
Oceânico de Leixões, que levou à operação extraordinária de transbordo
de petróleo bruto no porto de Sines, elevando o seu movimento em cerca
de 3,4 milhões de toneladas. “O
resultado em 2017 destas duas ocorrências verificadas em 2016 é um
efeito de travão no movimento dos portos que com elas ‘beneficiaram’
naquele ano e de alavancagem do movimento presente de Lisboa”, explica.No
caso do porto de Sines, o desempenho na carga contentorizada, produtos
petrolíferos e carvão anulou este efeito travão, “embora por uma pequena
margem” de +0,9%, mantendo este “uma trajetória positiva que lhe
confere, com naturalidade, a manutenção da posição maioritária absoluta
no movimento portuário, representando 52,2% do total (menos 2,2 pontos
percentuais face ao período homólogo de 2016)”. Já
a quota do porto de Leixões cresceu 0,6 pontos percentuais para 20,2%, a
de Lisboa subiu 2,1 pontos percentuais para 12,6% e a de Setúbal recuou
0,8 pontos percentuais para 6,9%.No
que se refere ao movimento de contentores nos portos comerciais do
Continente, ultrapassou o volume de 2,5 milhões de TEU nos dez primeiros
meses de 2017, “a nova melhor marca verificada nos períodos homólogos” e
um crescimento de 13,6% face a 2016. A
variação “mais expressiva” do volume de TEU movimentado de janeiro a
outubro face a 2016 verificou-se no porto de Lisboa, com uma taxa de
+35,2%, “refletindo a recuperação deste tráfego ‘desviado’ em 2016,
nomeadamente, para Leixões e Setúbal por efeito das perturbações
laborais”. “O
reflexo desta situação traduz-se no recuo destes dois portos para
valores alinhados com a trajetória do seu comportamento natural,
traduzido em quebras respetivas de -4,5% e de -2,3%, face a 2016, sendo,
no entanto, superiores em 0,4% e 31,3% aos respetivos volumes
movimentados em 2015”, lê-se no relatório.