Porto de Abrigo propõe medidas para melhorar pensões do setor
31 de out. de 2023, 07:40
— Nuno Martins Neves
A Porto de Abrigo - Organização de Produtores da Pesca, CRL, pretende
reformar o regime contributivo da segurança social da pequena pesca,
propondo medidas que vão quase duplicar os valores das pensões pagas por
doença, invalidez ou reforma dos pescadores.De acordo com a
resolução aprovada na sexta-feira, na assembleia geral realizada em Rabo
de Peixe e que contou com a presença de membros do Sindicato Livre de
Pescadores, entre as medidas propostas para reformar o sistema
contributivo estão a integração do seguro de acidentes de trabalho no
regime da segurança social da pequena pesca, “passando a base de
incidência atual das deduções para o Instituto da Segurança Social sobre
o valor bruto da primeira venda em lota para 15%”.Atualmente, a
base de incidência do modelo existente incide nos 10% sobre o valor
bruto da primeira venda em lota e abrange os pescadores locais e
costeiros, apanhadores de espécies marinhas e os pescadores apeados.Para
a Porto de Abrigo, as compensações por acidentes de trabalho devem
passar a ser pagas pela Segurança Social, “sendo os respetivos montantes
calculados em função das soldadas auferidas quando da verificação do
sinistro, tendo sempre como valor base o salário mínimo regional em
vigor”.Isto porque existe uma legislação específica com regime
contributivo para a pequena pesca local e costeira, em que este é
suportado a meias entre as companhas e o armador, ao contrário do regime
geral, que responsabiliza exclusivamente a entidade patronal.Com
este modelo, diz a Porto de Abrigo, ocorre de forma frequente que “dada a
variabilidade e os baixos rendimentos da pesca, em embarcações com
elevado número de tripulantes, os prémios pagos à seguradora ultrapassam
em percentagem o valor de incidência para a segurança social”.A
resolução propõe ainda a eliminação na legislação regional do artigo que
impede os pequenos armadores de aceder ao Complemento Regional, o que
os “penaliza”, afirma a organização.Medidas que, explica a Porto de
Abrigo, tem como objetivo melhorar as condições do setor, nomeadamente
com um incremento a rondar os 50% das pensões por doença, invalidez ou
reforma, que atualmente é inferior a 500 euros, “na sua esmagadora
maioria”.