Portal das Finanças recebeu 4.383 queixas entre janeiro e junho
1 de set. de 2020, 08:38
— Lusa/AO Online
Estes dados, publicados no Portal das
Finanças, dão conta de alguns dos indicadores de atividade do novo
serviço de apoio e defesa do contribuinte que foi disponibilizado no
início deste ano e que tem vindo a receber queixas de contribuintes
sobre procedimentos administrativos tributários ou aduaneiros, bem como
em processos de execução fiscal e de contraordenação da responsabilidade
da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).De
acordo com a informação disponibilizada, os principais motivos na
origem das 4.383 queixas estão relacionados com execuções fiscais,
nomeadamente dúvidas sobre a origem de dívidas em cobrança coerciva e
demora na aplicação de valores penhorados.O
Imposto Único Automóvel (IUC), designadamente o desfasamento entre a
propriedade do veículo e o cadastro existente na base de dados da AT,
bem como a tributação de veículos usados importados, completa o leque
das principais questões levantadas pelos contribuintes.Aquele
número inclui também reclamações pela cobrança por parte da AT de
dívidas de entidades externas, como as concessionárias de autoestradas.A
AT demorou, em média, dois dias úteis para iniciar o contacto com o
contribuinte após a apresentação da queixa, sendo que, das mais de
quatro mil reclamações registadas, a maioria foi resolvida localmente
pelos serviços de finanças, ainda que cerca de 400 queixas tenham
exigido a intervenção dos serviços centrais. “Atualmente
encontram-se pendentes 103 queixas nos serviços de finanças e 51
queixas nos serviços centrais”, refere a mesma nota.O
serviço de apoio e defesa do contribuinte, tutelado pelo
subdiretor-geral da área da relação com o contribuinte, Nuno Félix,
integra o conjunto de respostas que têm estado a ser criadas pela AT com
o objetivo de facilitar o relacionamento com os contribuintes,
nomeadamente melhorando os procedimentos e tratamento das reclamações.O
lançamento deste serviço foi anunciado pelo secretário de Estado dos
assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, em dezembro do ano passado
durante uma audição no parlamento.Em abril
de 2020, o serviço de apoio e defesa do contribuinte foi reforçado, com
a criação de uma direção específica que conta com uma equipa de 16
funcionários, organizada em polos regionais de forma a promover uma
maior aproximação à área geográfica das queixas.A
informação publicada hoje no Portal das Finanças assinala que o
processo de reforço da confiança dos contribuintes, que já tinha
começado a fazer caminho, já está a ter resultados, com o contencioso
tributário a registar uma quebra de 48% entre 2015 e 2019, sendo que a
instauração de oposições à execução registou uma diminuição de 60%.A
mesma informação adianta que uma das principais fontes de contencioso
entre os contribuintes e o fisco não está relacionada com impostos, mas
com dívidas de outras entidades. “Mais de
metade das oposições à execução instauradas respeitam à cobrança por
parte da AT de dívidas de entidades externas, visando designadamente
sindicar os procedimentos daquelas entidades externas na fase de
pagamento voluntário”, é referido. Em 2019 foram alvo de reclamação graciosa apenas 0,2% das mais de 25 milhões de liquidações realizadas.