Por entre suspiros, Pedro Nuno tenta cativar agricultores açorianos
2 de mai. de 2025, 09:19
— Nuno Martins Neves
Paula Roque não quis perder a oportunidade de ver o líder do PS ao vivo e
a cores e ali tão à sua beira. Por detrás dos jornalistas que
questionavam Pedro Nuno Santos, a micaelense esticou-se e soltou um
“aiii”. O secretário-geral dos socialistas não viu, mas o suspiro não
escapou ao candidato pelo círculo dos Açores, Francisco César, que
esboçou um sorriso.“É bonito, então não é!”, disse Paula ao Açoriano
Oriental, depois de já ter trocado umas palavras - e um beijinho - com
Pedro Nuno. O candidato do PS às Legislativas de 18 de maio esteve em São Miguel, um dia que começou na Feira Agrícola de Santana, passou
por um almoço-comício na Fajã de Baixo e terminou em Rabo de Peixe, onde
Carlos César também integrou a comitiva.Paula - e o seu marido
“nada invejoso” Roberto - foi uma das centenas de pessoas que
aproveitaram o feriado para comprar os produtos agrícolas mais frescos e
que além de umas couves e de umas laranjas, ainda levaram para casa uma
garantia de Pedro Nuno Santos: com o PS no Governo, o pagamento dos
rateios do POSEI aos agricultores açorianos será permanente.“O
Governo da República assumiu que quer compensar o rateio apenas para
2025. Ora, o rateio nos apoios aos agricultores açorianos tem de ser
garantido de forma permanente, e não de forma excecional em 2025. Temos
de garantir que o apoio europeu chegue a todos os agricultores sem
cortes”.Sentindo o terreno fértil, o líder socialista lembrou ainda
uma promessa não cumprida por Luís Montenegro: “Quando houve a crise
inflacionista, foram dados apoios aos agricultores do continente. E na
altura, Luís Montenegro disse que era inaceitável e que esses apoios
tinham de chegar aos Açores. Ao fim de um ano, os apoios que Luís
Montenegro tinha garantido que iam chegar aos agricultores açorianos,
não chegou”.Uma discriminação que começou...no Governo de António
Costa, obrigando Pedro Nuno a distanciar-se: “Mas não é comigo: comigo,
os agricultores açorianos são respeitados como agricultores de
primeira”.Das palavras, o candidato do PS às eleições do dia 18
passou à visita às bancas dos comerciantes: habitualmente concorridas,
estavam ainda mais, por ser feriado, o que deixava a mobilidade da
comitiva socialista bastante dificultada.E falando em mobilidade,
Pedro Nuno também deixou a garantia que, ganhando as eleições, o
subsídio social de mobilidade terá de ser revisto.“Tem de apoiar os
portugueses que vivem nas regiões autónomas. É uma questão muito
importante, pois a mobilidade dentro do território nacional tem de ser
assegurada e garantida para todos os cidadãos”, afirmou, depois de
questionado se iria retirar o teto colocado pelo governo da AD na tarifa
para os residentes nos Açores.As solicitações ao candidato dos
socialista foram se multiplicando, com Pedro Nuno a falar para os
emigrantes: gravou uma mensagem para um canal que transmite para a
diáspora na América do Norte e ainda entrou numa videochamada que uma
açoriana estava a ter com os seus familiares, em Fall River (Estados
Unidos) e Toronto (Canadá).E foi aí que também aproveitou para
“acabar com uma ilusão” vendida pelo Chega e por André Ventura aos
agricultores açorianos: “Temos um líder político em Portugal que tem
celebrado as tarifas dos EUA, que são boas para os agricultores
portugueses e açorianos É bom que ninguém se iluda: no final do dia, vão
penalizar o queijo açoriano que é exportado para os EUA”.