Ponta Delgada parte da “cultura do lugar” para concorrer a Capital Europeia da Cultura
20 de out. de 2022, 17:52
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, após a entrega do dossiê de candidatura da
fase de seleção no Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação
Culturais, em Lisboa, o diretor artístico de Ponta Delgada – Azores
2027, António Pedro Lopes, reforçou que a candidatura explora a ligação
do arquipélago à natureza.“É uma candidatura que parte da cultura do lugar. Cultura esta que está extremamente ligada à sua natureza”, destacou.António
Pedro Lopes avançou que o projeto de Ponta Delgada “propõe um
laboratório e um recreio” para os agentes culturais, ao mesmo tempo que
“celebra” as identidades da região.“É uma
candidatura que explora essas relações: relações de sustentabilidade, de
regeneração, de fusão, de simbiose, para, de uma vez por todas, acabar
com a ideia de que o Homem e a humanidade estão acima da natureza. Não.
Há procura de um lugar do equilíbrio”, vincou.Ressalvando que se trata de um “processo e não de uma competição”, o diretor
artístico considerou, contudo, o projeto de Ponta Delgada “muito
particular” no contexto nacional.António
Pedro Lopes, que foi um dos fundadores do festival Tremor, acrescentou
que a candidatura pretende homenagear a forma “como a cidade e a região
se abriram ao mundo” na última década, por via do turismo e da atividade
cultural.“O projeto propõe um palco para,
a partir das relações da natureza com a humanidade num lugar de
simbiose, pensarmos em que mundo queremos viver e como esses setores da
cultura podem ser envolvidos”, apontou.Desde
que Ponta Delgada foi pré-selecionada, prosseguiu, a equipa procurou
“enriquecer a candidatura”, levando-a às nove ilhas dos Açores,
envolvendo mais agentes culturais, mas mantendo o “conceito original de
natureza humana”.Não detalhando os valores
envolvidos na candidatura, António Pedro Lopes realçou que o município
de Ponta Delgada e o Governo Regional dos Açores “trataram muito
positivamente” a recomendação do júri da fase inicial, que alertou para a
necessidade de existir um maior investimento.“Os
cinco anos de implementação são anos de preparação. São anos de
capacitação dos setores culturais e criativos e da sociedade civil, de
expansão do programa cultural e criativo e de criação de mais parcerias
regionais, nacionais e internacionais”, concluiu.Em
2027, Portugal terá uma Capital Europeia da Cultura pela quarta vez,
após Lisboa, em 1994, Porto, em 2001, e Guimarães, em 2012. Haverá ainda
em 2027 outra Capital Europeia da Cultura na Letónia.As
quatro cidades que passaram à fase final, escolhidas de entre 12
municípios candidatos, foram Évora, Ponta Delgada, Braga e Aveiro.