Ponta Delgada cria núcleo de intervenção para mais de 300 sem-abrigo
19 de abr. de 2024, 09:50
— Carolina Moreira
A Câmara Municipal de Ponta Delgada anunciou ontem a criação do Núcleo
de Planeamento e Intervenção com Sem-Abrigo (NPISA), em parceria com 17
associações, para fazer face ao crescente aumento de pessoas em situação
de sem-abrigo na cidade.Segundo um levantamento realizado pela
autarquia no mês de janeiro deste ano, existem cerca de 303 sem-abrigo
só nas quatro freguesias citadinas de Ponta Delgada, sendo a maioria
homens com idade acima dos 45 anos. Números que a vereadora com o
pelouro da Ação Social considera “preocupantes”.“Os dados são
preocupantes e por isso mesmo é que estamos a agir. Considerando que
houve um aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo, a
resposta certa para este novo problema é uma intervenção articulada
junto das instituições que são especializadas e que recebem apoio do
município de Ponta Delgada. Portanto, o nosso objetivo é melhorar a
resposta destas instituições e dar-lhes as condições que elas necessitam
para responder a este problema”, adianta Cristina Canto Tavares.Nesse
sentido, foram assinados ontem protocolos com 14 das 17 instituições
envolvidas no Núcleo de Planeamento e Intervenção com Sem-Abrigo
(NPISA), uma resposta “pioneira” nos Açores, apesar de não ser nova no
país.Cristina Canto Tavares explica que se trata de um “grupo de
trabalho que reúne todos os parceiros sociais, mas também grupos de
voluntários, que têm uma ação específica com estas pessoas [sem-abrigo],
de forma a planearmos essa intervenção, articularmos as respostas que
já existem e bem na cidade de Ponta Delgada e a identificarmos
oportunidades de melhoria para que estas pessoas consigam ter acesso a
uma habitação, alimentação e a uma resposta ocupacional digna daquilo
que é a condição humana”, esclarece.Do trabalho desenvolvido até ao
momento, já foi possível identificar as “necessidades” da intervenção
junto dos sem-abrigo em Ponta Delgada e que, segundo a vereadora, passa
principalmente por dar “respostas intermédias para a sua reabilitação”.“Recentemente,
já anunciámos um protocolo de colaboração com o Instituto João de Deus e
com a Cáritas de São Miguel que foram oportunidades de intervenção na
reabilitação de duas moradia para, após tratamento de substituição,
conseguirmos ter uma residência intermédia, com acompanhamento 24 horas
de técnicos especializados”, relembra.Segundo Cristina Canto
Tavares, outras necessidades detetadas passam pela “articulação da
distribuição de alimentação, por exemplo, aos fins de semana” e ainda
por “respostas ocupacionais para as pessoas que já estão num estadio de
evolução pós tratamento e nós [autarquia] vamos também avançar com um
programa ocupacional para pessoas de elevada vulnerabilidade e pessoas
portadoras de deficiência”, adianta a vereadora, assumindo que “os
custos serão das intervenções serão suportados pela Câmara”.