Ponta Delgada adere ao projeto ‘Housing First’ para sem-abrigo
18 de out. de 2022, 11:07
— Lusa/AO Online
No
âmbito da adesão ao projeto, a Câmara de Ponta Delgada promoveu, na
segunda-feira, no Coliseu Micaelense, uma ação de formação que contou
com a participação de várias associações, entidades do concelho e com a
divisão municipal de desenvolvimento social.Citada
numa nota de imprensa, a vereadora Cristina do Canto Tavares refere que
o modelo “permite a promoção da qualidade de vida das pessoas em
situação de sem-abrigo”.De acordo com a autarca, “é muito diferente ter um espaço só da pessoa, em vez de um partilhado”.“Só
o facto de as pessoas terem o seu cantinho permite-lhes viver com mais
dignidade e, a partir daí, ter vontade e disponibilidade para recuperar
outras situações na sua vida”, salienta Cristina do Canto Tavares.Na
nota, a vereadora destaca também que “os resultados em termos de
‘recovery’ e de saúde, bem como de redução significativa de consumo de
substâncias psicoativas e da utilização de serviços de emergência, são
vistos a curto-médio prazo”.“Num espaço de
dois anos, este programa mantém as pessoas fora das ruas, há uma
redução nos consumos e a integração social é feita de uma forma muito
mais suave e rápida. Através da atribuição de uma habitação digna,
esperamos conseguir começar a trilhar um caminho para a reabilitação.
Este programa salva vidas e é isto que nós queremos para Ponta Delgada”,
refere.Também citado na nota, o
presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento
Cabral, acrescenta que “acima de tudo o que se pretende é que, em
parceria com outras entidades e associações, possa-se dar passos certos e
firmes no combate à exclusão social e pobreza”.Segundo
o município, Ponta Delgada “é a primeira cidade dos Açores a
implementar este projeto, que deverá entrar em ação nos próximos seis
meses”, sendo que a autarquia já tem duas habitações disponíveis para
uma experiência-piloto.O projeto ‘Housing
First’ surgiu nos Estados Unidos da América há cerca de 20 anos e foi
introduzido em Portugal em 2009, sendo que 90% das pessoas acolhidas
pela iniciativa não regressam à condição de sem-abrigo.Ponta
Delgada tem vindo a registar um aumento de pessoas sem-abrigo, tendo
várias associações empresariais manifestado este mês "profunda
preocupação" com o "aumento da pobreza, mendicidade, alcoolismo e
toxicodependência" no centro da cidade, indicando que vão solicitar
reuniões com as autoridades regionais e polícia.A
posição foi manifestada numa reunião que juntou a Câmara do Comércio e
Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), a Associação Regional das Empresas
de Atividades Turísticas dos Açores (AREAT), a Associação de Alojamento
Local (ALA), as Casas Açorianas e as delegações da Associação Portuguesa
das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), da Associação de Hotelaria,
Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Associação de Hotelaria de
Portugal (AHP) e a Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis
(ARAC).A Câmara do Comércio e Indústria de
Ponta Delgada também já adiantou que as associações empresariais
decidiram solicitar reuniões com o presidente do Governo Regional, José
Manuel Bolieiro, o presidente do município e o Comando Regional da PSP
face à "situação de insegurança e de mendicidade" na cidade.