Ponta Delgada abre caminho ao “Lugar de Amanhã” com a Capital Portuguesa da Cultura

Hoje 14:00 — Filipe Torres

Ponta Delgada assume este ano o título de Capital Portuguesa da Cultura, depois de Aveiro (2024) e Braga (2025), num ano que antecede Évora como Capital Europeia da Cultura. Sob o lema “O Lugar de Amanhã”, a PDL26 afirma-se não apenas como um conjunto de eventos, mas como um projeto de transformação cultural com ambição de deixar uma marca duradoura na Região, como explica a Comissária da PDL26, Kátia Guerreiro.No salão nobre da Câmara Municipal de Ponta Delgada, realizou-se a conferência de imprensa da apresentação da programação do primeiro trimestre de 2026, sendo que arranca com o espetáculo “Deixa Passar a Vida”, com direção artística de António Pedro Lopes, marcado para quinta-feira, dia 29, no Coliseu Micaelense. O projeto assume um forte cariz comunitário, levando ao palco pessoas que nunca tinham participado numa criação artística profissional, num gesto simbólico de inclusão e democratização do acesso à cultura.O serviço educativo é um dos grandes eixos da PDL26. De acordo com a comissária, trata-se de uma oportunidade para “lançar as sementes para o lugar de amanhã” e incentivar o contacto das crianças e dos jovens com a cultura.A comissária da PDL26, Kátia Guerreiro, explicou que a organização trabalha atualmente com um orçamento de 4,3 milhões de euros, provenientes do município de Ponta Delgada (três milhões) e do Governo da República (1,3 milhões), aguardando ainda a aprovação de um milhão de euros do Governo Regional, sujeito a candidatura. O valor global poderá ascender aos 5,3 milhões de euros, incluindo financiamento privado, do qual já estão garantidos 305 mil euros.“Não queremos de todo chegar ao final da capital e termos aqui um problema financeiro deixado de herança ao município de Ponta Delgada”, sublinhou a comissária da PDL26, reforçando que a estratégia passa por um crescimento sustentado da programação, em função das verbas efetivamente asseguradas, juntamente com as verbas do merchadising e da bilheteira.Primeiros meses com dezenas de iniciativasOs primeiros três meses de 2026 concentram uma intensa atividade cultural. Entre fevereiro e março, destaque para o espetáculo “Ai, tu é que és o meu rapaz”, de Sara Ross & Quarteto Contratempus, entre os dias 4 e 6 de fevereiro; as Oficinas de Danças do Mundo e Chamarrita do Pico, de 3 de fevereiro a 9 de dezembro; o concerto “O Fado”, com Lima e Marco Mezquida, e atuações de Afonso Dorido, a 26 de fevereiro; Cristina Branco (a 8 de março, Dia Internacional da Mulher) e Manuel Cruz, no Teatro Micaelense, a 19 de março - um dos dois projetos da Câmara Municipal de Oeiras, que apoiou a PDL26 com 100 mil euros.A programação inclui ainda a exposição “Previsão de Deriva”, de Márcio Vilela, o festival literário Utopia, e uma exposição-amostra intitulada “Ilhas de Amanhã”, que irá apresentar, de forma rotativa, todas as ilhas dos Açores, começando pelo Corvo, a 5 de fevereiro.Cultura para todos e em todo o arquipélago é um objetivoUm dos objetivos da PDL26 é o envolvimento de toda a Região. A organização já reuniu com a Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores e pretende estender atividades aos 19 concelhos, promovendo espetáculos e iniciativas em espaços como igrejas históricas, parques urbanos, teatros e centros culturais, incluindo, já garantido, o Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas e o Teatro Ribeiragrandense, ambos do concelho da Ribeira Grande, sendo que a Lagoa também está contemplada.Entre os projetos estruturantes, Kátia Guerreiro destaca o Raiz, dedicado à preservação e revitalização das tradições culturais locais como os grupos de filarmónicas e os ranchos de folclore; o Projeto Mica (diminutivo de Micaelense), focado nas artes performativas para a infância; e o FestivalZim!, integrado no Tremor, pensado para crianças e famílias.Um ano com muitos eventosAo longo de 2026, o público poderá ainda assistir a produções de “grande escala”, como “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, de Tiago Rodrigues, “Os Maias”, da Companhia Nacional de Bailado, e a ópera “Um Baile de Máscaras”, de Giuseppe Verdi, pelo Teatro Nacional de São Carlos. Além disso, a PDL26 vai estar presente na atuação de Zeca Medeiros, que estará, pela primeira vez, na Casa da Música do Porto.Mais do que um cartaz cultural, a PDL26 assume-se como um projeto de sensibilização, participação e construção de públicos. “Não se trata de educar públicos, mas de criar oportunidades para que todos possam descobrir a cultura”, afirmou Kátia Guerreiro, resumindo o espírito de uma capital que quer começar já a construir o seu amanhã.PDL26 é oportunidade para projetar concelhoPedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara de Ponta Delgada, afirmou que assumir o título de Capital Portuguesa da Cultura em 2026 é uma honra e um marco na afirmação da identidade cultural micaelense e açoriana. O projeto PDL26 valoriza tradições como o Espírito Santo, as filarmónicas e o folclore, ao mesmo tempo que abre espaço às artes contemporâneas.O autarca destacou que a iniciativa envolve a comunidade local e promove o diálogo com a criação nacional e internacional, ligando os Açores ao mundo. O investimento do município na cultura é de 6 milhões de euros.