Polónia admite intercetar avião de Putin se este sobrevoar o seu espaço aéreo
Ucrânia
21 de out. de 2025, 17:30
— Lusa/AO Online
Em declarações a uma rádio local, Siroski
aludiu à possibilidade de o avião oficial do Presidente russo voar para
Budapeste através do espaço aéreo polaco, que está atualmente fechado
aos aviões russos.O Presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, e o homólogo russo concordaram na passada
quinta-feira com a realização de uma reunião na capital húngara para
negociar o fim da guerra, desencadeada pela invasão russa da Ucrânia, em
fevereiro de 2022.Neste contexto, o
ministro polaco advertiu que Varsóvia "não pode garantir que um tribunal
independente não ordene ao Governo que detenha esse avião para levar um
suspeito [de crimes de guerra] ao tribunal de Haia", referindo-se ao
Tribunal Penal Internacional (TPI).Reagindo
a estas observações, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo,
Serguei Lavrov, citado pela agência russa RIA Novosti, afirmou que os
avisos sobre a segurança do avião de Putin "provam que os polacos estão
prontos para cometer atos de terrorismo".O
risco de detenção a que Sikorski se referiu baseia-se no mandado de
captura emitido pelo TPI a 17 de março de 2023, contra o Presidente
russo e Maria Lvova-Belova.Ambos são
acusados de crimes de guerra e de deportação e deslocação ilegal de
crianças cometidos em ou após 24 de fevereiro de 2022, data em que
começou a invasão russa da Ucrânia.O
ministro polaco sugeriu que Putin poderia, em alternativa, dirigir-se
até Bucareste sobrevoando a Turquia, Montenegro e Sérvia.Já
a Bulgária anunciou na segunda-feira que estaria disposta a deixar o
Presidente russo sobrevoar o seu espaço aéreo para se dirigir à Hungria
para participar na anunciada cimeira sobre a Ucrânia com o homólogo
norte-americano."Como poderia a reunião
decorrer se um dos participantes não pudesse comparecer?", questionou na
ocasião o chefe da diplomacia de Sófia, Georg Georgiev, segundo o
jornal 'online' búlgaro Novinite, a propósito da autorização à passagem
de Putin.A ordem do tribunal sediado em
Haia obriga os 125 Estados signatários do Estatuto de Roma (incluindo a
Polónia), o tratado que criou o TPI, a prender Putin se este entrar no
seu território.