Polo Museológico do Coliseu Micaelense reabre ampliado e remodelado
Hoje 10:28
— Lusa/AO online
O espaço abriu as portas
ao público pela primeira vez a 10 de maio de 2007, por ocasião da
comemoração do 90.º aniversário da inauguração da “maior casa de
espetáculos dos Açores” e fechou em 2016, segundo a presidente do
conselho de administração do Coliseu Micaelense, Cila Simas. Entre
2024 e 2025, foi efetuada uma investigação que permitiu “recolher mais
de 600 documentos” sobre o complexo cultural, adiantou.Assim,
como a informação e as memórias do Coliseu “precisavam de uma casa
estruturada”, o espaço museológico foi dividido em 14 secções distintas
que levam o visitante “a uma verdadeira viagem no tempo”.“Desde
Ponta Delgada antiga, os nossos fundadores [do Coliseu], passando pela
magia do cinema, do circo, do teatro, até aos icónicos grandes bailes de
Carnaval e de Réveillon, sem esquecer as grandes figuras que pisaram o
nosso palco”, disse Cila Simas.No discurso
inaugural, acrescentou que na renovação há espaços que “tocam de forma
muito particular”, a começar pela primeira secção “inteiramente dedicada
ao ator mais velho do mundo e ativo”, Rui de Carvalho, que ali
apresentou a peça “Rui de Carvalho uma História de Vida”.O
Polo Museológico do Coliseu Micaelense também inclui, entre outras,
secções dedicadas ao arquivo discográfico e literário (vinis e livros),
“os primeiros tempos” (fotografias e objetos) e sobre os “grandes”
atores e artistas que por ali passaram, destacando também José Pracana e
a fadista Amália Rodrigues.No espaço
museológico que ocupa o último anel (a galeria) da sala principal do
edifício, também existem zonas dedicadas ao cinema (fotos de artistas,
antigas máquinas de projetar e bobines) e à história do edifício, com
vários tipos de cadeiras antigas, onde as pessoas se podem sentar e
visualizar um documentário.O secretário de
Estado da Cultura, Alberto Santos, que esteve na inauguração, valorizou
o projeto por considerar “muito importante” perpetuar memórias.Em
declarações à agência Lusa, lembrou que a Cultura “define e demonstra
como é que um povo se revê e reconhece ao longo de determinado tempo e
ao longo da vida e de cada época”, salientando que “o ato de criação
cultural em determinada época é diferente do ato de criação cultural
numa outra época”.“E, por isso, vermos
aqui um polo museológico que faz esta retrospetiva, conta uma história -
e uma história já mais do que centenária da vida desta instituição -,
por onde passaram grandes artistas multidisciplinares, desde o teatro ao
circo, à música, ao próprio convívio da população desta comunidade, eu
acho que é, na verdade, uma decisão muito relevante da administração
deste Coliseu”, disse.Na sua opinião, o
espaço vai permitir que, sobretudo as novas gerações, “possam conhecer a
sua própria história […] através da cultura das manifestações
culturais” retratadas.